segunda-feira, novembro 09, 2009

Lula e o desprezo pelos intelectuais

Marcos Guterman, Estadão online


O presidente Lula afirmou que as recentes críticas feitas a ele pelo ex-presidente FHC se resumem a “ódio de intelectual” – em artigo, o tucano acusou o atual governo de exercer um “autoritarismo popular”. Lula tornou a comparar sua trajetória à de FHC, dizendo que “ficar assistindo um operário que só tem o 4º ano primário ganhar tudo o que ele imaginava que iria ganhar e não ganhou por incompetência é muito difícil”.

São recorrentes os ataques de Lula aos intelectuais, e o padrão tem sido o de menosprezar as conquistas daqueles que estudam, usando como comparação o sucesso dele mesmo, um torneiro mecânico semi-alfabetizado que chegou à Presidência.

Há vários problemas nessa mensagem. O mais evidente é que, em nome da valorização da “experiência de vida”, ela tira valor da dedicação ao aprimoramento intelectual. Estudar, pesquisar, debater e teorizar perdem importância diante da convicção de que, no final das contas, o que importa é a “práxis”, sem a necessária reflexão.

Isso nos leva a um segundo problema de fundo. Uma sociedade tomada pela irreflexão, que é o que parece defender Lula, é o sonho de todo regime totalitário. O desprezo pelos intelectuais era uma das marcas mais importantes dos governos de perfil fascista que protagonizaram o século 20. O ataque sistemático ao pensamento, ao contraditório, ajudou a construir a unanimidade perseguida pelos ditadores.

Será isso o que Lula quer?