Adelson Elias Vasconcellos
Há questão de uns dois meses atrás, reproduzimos aqui alguns trechos da longa reportagem da revista britânica “The Economist” (aquela da foto do Cristo Redentor subindo aos céus feito foguete), na qual se elogiava o Brasil, sua estabilidade econômica e institucional, a melhora significativa de seus indicadores sociais, e se louvava Lula pelo fato de haver mantido as pollíticas e programas herdados de ... Fernando Henrique.
Em seguida, o espanhol “El País”, o fraancês “Le Monde”, o inglês Financial Times premiaram Lula com títulos como “O Homem do Ano”, ou o destaque dentre os 50 personalidades que mais influenciaram esta primeira década do século 21.
Mas todos foram unânimes em atribuir o sucesso de Lula pelo mérito de haver dado continuidade aos programas de Fernando Henrique. Prêmios para Lula, méritos de Fernando Henrique. Talvez, num futuro próximo, também no Brasil, se promova a reabilitação de Fernando Henrique, seja pelo povo que se beneficiou imensamente de seus dois mandatos como presidente, seja por parte da nossa intelectualidade debilóide de esquerda, que sempre o demonizaram. Inclua-se aí boa parte da imprensaque até hoje tratam o ex-presidente com ironias maldosas e chacotas cretinas.
Contudo, como o mundo civilizado não se seduzir pela propaganda mentirosa e canalha do governo Lula, ela vê com maior destaque e isenção, aquilo que no Brasil muita gente se nega em sadmitir: o mérito deste governo Lula está justamente em ter mantido todo o programa econômico de Fernando Henrique e ter aprofundado (mesmo que por vias tortas) as ações sociais que herdou, E nisto reside, em boa parte, o crescemente prestígio do Brasil juinto a comunidade internacional. Claro, também outras razsões relevantes tais como a competência indicscutível da agropecuária nacional, respónsável por quase 80% das excelentes reservas internacionais que acumulanos nos últimos anos.
Apesar do prestígio que é endereçado a Lula, seu prestígio, se vê, está justamente naquilo que ele e seu partido condenaram, criticaram e boicotaram o tempo todo. O sucesso de Lula, em última análise, está em ter sido o cotinuador emérito de Fernando Henrique. Foi em não ter sido nem o Lula nem o petista da oposição, em não ter seguido justamente o receituário de seu partido. Este paradoxo é um drama que nem petê nem Lula conseguirão se livrar para o resto dos tempos.
Talvez isto explique em boa dose sua obsesssão inconsequente em atacar FHC com tanto empenho. Lula se tornou o “cara” por refletir, como governante, FHC, o desprezado. Convenhamos, isto deve doer um bocado ao amor próprio desta gente.
E digo isso não pelo texto da Ssuely Caldas publicado no Estadão e abaixo reproduzido. Mas, também, porque até o próprio Elio Gaspari acabou se curvando à evidência, em sua coluna deste domingo para a Folha de São Paulo. .
Já em 2007, chamávamos a atenção para o 3º Relatório Nacional de Acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio mostra que 4,7 milhões de brasileiros deixaram a condição de extrema pobreza entre 1990 e 2005.
Diziámos na época: (...) “Reparem que metade da queda na pobreza brasileira se deu no período em que o Plano Real foi implementado, ainda no primeiro mandato de Fernando Henrique. Apenas os programas sociais, está visto no estudo, não teriam a força necessária para provocar tamanha redução.”(...).
(Clique aqui para ter artigo completo).
Portanto, seja pela estabilidade econômica, seja pelos programas sociais que Fernando Henrique implantou, a redução de extrema pobreza para 4,7 milhões de brasileiros, entre 1990 a 2005, teve sua maior redução no primeiro mandato de FHC, cerca de 3,34 milhões do total de 4,7 milhões de brasileiros que saíram daquela situação, conforme vemos neste trecho:.
(...) “Segundo os dados do relatório, em 1990, 8,8% dos brasileiros viviam na pobreza extrema. Em 2005, o percentual caiu para 4,2%, o que representa um resultado superior ao estabelecido pela ONU.”(...).
Deste modo, está mais do que na hora de boa parte não apenas da imprensa mas do país como um todo, corrigir-se e reconhecer o quanto da nossa estabilidade econômica e da redução da pobreza e da desigualdade social, é devida aos oito anos do ex-presidente Fernando Henrique, período em que Lula e seu partido, sempre foram contrários agindo no extremo do boicote às ações e programas que herdaram e não mudaram. E ainda bem que não o fizeram... Vigarice é tentarem conceder apenas a si mesmos os méritos de nossas conquistas.
A seguir, trecho do artigo do Gaspari que deveria ser refletido por todos aqueles que atribuem apenas a Lula (ele próprio, inclusive), o momento favorável vivido pelo país.
Não foi o PT nem o PSDB, foram os dois
O professor Claudio Salm investigou os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 1996 e 2002 (anos tucanos) e daí a de 2008 (anos petistas). Ele verificou que a ideia segundo a qual Nosso Guia mudou radicalmente a vida do andar de baixo nacional é propaganda desonesta. Estimando-se que no andar de baixo estejam cerca de 50 milhões de pessoas (25% da população), o que se vê nas três Pnads estudadas por Salm é uma linha de progresso contínuo, sem inflexão petista.
Em 1996, quando Fernando Henrique Cardoso tinha um ano de governo, 48,5% dos domicílios pobres tinham água encanada. Em 2002, ao fim do mandato tucano, a percentagem subiu para 59,6%. Uma diferença de 11,1 pontos percentuais. Em 2008, no mandato petista, chegou-se a 68,3% dos domicílios, com uma alta de 8,7 pontos.
Coisa parecida sucedeu com o avanço no saneamento. Durante o tucanato, os domicílios pobres com acesso à rede de esgoto chegaram a 41,4%, com uma expansão de 9,1 pontos percentuais. Nosso Guia melhorou a marca, levando-a para 52,4%, avançando 11,3 pontos.
O acesso à luz elétrica passou de 79,9% em 1996 para 90,8% em 2002. Em 2008, havia luz em 96,2% dos domicílios pobres.
Esses três indicadores refletem políticas públicas. Indo-se para itens que resultam do aumento da renda e do acesso ao crédito, o resultado é o mesmo.
Durante o tucanato, os telefones em domicílios do andar de baixo pularam de 5,1% para 28,6%. Na gestão petista, chegaram a 64,8% das casas. Geladeira? 46,9% em 1996, 66,1% em 2002 e 80,1% em 2008.
O indicador da coleta de lixo desestimula exaltações partidárias. A percentagem de domicílios pobres servidos pela coleta pulou de 36,9% em 1996 para 64,4% em 2008. Glória tucana ou petista? Nem uma nem outra. O lixo é um serviço municipal.
Nunca antes na história deste país um governante se apropriou das boas realizações alheias e nunca antes na história deste país um partido político envergonhou-se de seus êxitos junto ao andar de baixo com a soberba do tucanato.