Reinaldo Azevedo
Então… Da próxima vez, Celso Amorim, o Megalonanico, combina literalmente com os russos. Em vez de sair, em seu destrambelhamento característico, a dar apoio ao governo do terrorista Mahamoud Ahmadinejad, segue os passos de Moscou e condena os saçaricos nucleares do “Zóio Junto“. Qual a vantagem disso? Não ter de pagar o mico que pagou ontem, em mais um de seus desempenhos patéticos.
O mundo condenava o anúncio do Irã de que elevaria o grau de enriquecimento de urânio, e o Brasil, isolado, falava em negociação, repudiando a possibilidade de sanções. Bem, falava-se da elevação do enriquecimento de 3,% pra 20%, insuficiente para artefatos nucleares. A questão não era o grau, mas a decisão de fazê-lo à revelia, interrompendo o curso das negociações. Mas Amorim, muito compreensivo, queria bater papo.
Ontem, Ahmadinejad colaborou com a estratégia do brasileiro…No discurso que fez por ocasião do 31º aniversário da Revolução Islâmica, anunciou que o Irã é um “país nuclear ” e que pode, se quiser, enriquecer urânio a 80%. Para fazer a bomba, é preciso pouco mais de 90%.
E aí voltamos a Amorim. Agora ele se mostra preocupado. Ontem, indagado sobre a declaração de Ahmadinejad, ele afirmou que 80% já viola o Trado de Não-Proliferação Nuclear. É? Pelo visto, para este gigante, tudo é uma questão de porcentagem… Ele sabe que não é, mas busca uma saída, vencido, mais uma vez e como sempre, pelos fatos.
Como Amorim é Amorim, tentou uma falazinha esperta, ali naquele pequeno intervalo entre seu cérebro e seu fígado: “Todos nós estamos preocupados. Eu também estava muito preocupado com o Iraque [antes do início da guerra, em 2003] e fiquei mais preocupado depois. Fico preocupado também em encontrar o caminho certo.”
Entenderam? Ele está sugerindo que, assim como teria sido um erro a intervenção no Iraque, uma possível ação mais dura contra o Irã seria igualmente contraproducente. Como é óbvio, compara situações absolutamente desiguais para poder justificar a absurda posição do governo brasileiro.
E o mestre ainda tentou pensar: “Quando dizem que nós não deveríamos entrar (na questão), que isso é uma confusão, uma saia-justa, essas pessoas se esquecem que o mundo é um só e, se houver um problema grave no Irã, pode haver uma série de efeitos, desde o aumento do preço do petróleo até uma catástrofe humana, como ocorreu no Iraque antes da guerra”.
Muito humano por parte deste senhor. Já é carne de vaca lembrar que Chamberlain e Daladier resolveram fazer um acordo com Hitler porque, vocês sabem, o mundo era um só e cumpria evitar catástrofes humanas… Amorim é do tipo que deve se sentir mais seguro se o Irã tiver a bomba…
