Raramente, neste espaço, alguém leu comentários sobre pesquisas. E, especificamente, nesta campanha de 2010, não fiz nenhum. Por mais universais que sejam, sempre há um meio de "conduzi-las" para um resultado prédeterminado. No Brasil, então, depois dos incríveis resultados "pesquisados" em 2006, e que , simplesmente, depois de abertas as urnas, o eleitorado atropelou todas elas e todos os institutos, pesquisa para mim serve para balisar uma campanha mas não para prédeterminar que o jogo está ganho ou perdido.
Importante para mim é a campanha. E neste sentido, jamais poupei críticas ao PSDB ao longo dos oito anos de Lula no poder. Enquando tentavam ser "oposição responsável", mais se afastavam de sua verdadeira missão, que era fiscalizar e criticar as ações do governo. O que não faltam e não faltaram são e foram razões para crítica. E quando se olha para a campanha de agora, então, fica dificil para qualquer analista tentar entender onde as oposições pretendem chegar. Não seriam dois meses de campanha que teriam o dom de recuperar os oito anos perdidos.
Alguns espertalhões criticam os tucanos, principalmente, pela falta de "discurso". Não, senhores, discurso e assunto para discurso até existe. Ufa ! se existe!!! O que falta é a coragem para fazê-lo, como coragem faltou para fazê-lo desde 2003. Exemplo típico desta falta de ação é o Plano Real e todos os programas dele consequentes e que, de fato, prepararam o país para a estabilidade atual. Nunca os tucanos se orgulharam disto. Nunca defenderam suas reformas, que colocaram o país no caminho da modernidade, como bem demonstra o programa de privatizações, da qual a da telefonia é e foi notável. Quanto de investimentos e progresso social ela representou para o país? E quantos tucanos foram às ruas para defendê-la e demonstrá-la ao povo brasileiro?
Querem mais um exemplo? Há poucos dias Serra criticou duramente o ENEM, não o porgrama em si, mas a sua condução que, de fato, tem pecado e muito e pode redundar em fracassos. Dilma, por outro lado, fazendo defesa do programa, criticou o tucano e teve a petulância de dizer que antes não havia exames de avaliação. Santo Deus, quem os criou foi o Ministério da Educação comandado por Paulo Renato de Souza, no governo FHC, e contra a forte oposição do PT, com inúmeras tentativas de boicote, tendo Lindemberg Farias liderado o movimento contrário. Contudo, tomando-se por base apenas a propaganda oficial, tem-se a impressão de que os exames de avaliação são obras deste governo, quando não são. Até pelo contrário. Eles simplesmente perderam, com o governo Lula, muitas das suas escelentes finalidades.
Querem mais um exemplo? Há poucos dias Serra criticou duramente o ENEM, não o porgrama em si, mas a sua condução que, de fato, tem pecado e muito e pode redundar em fracassos. Dilma, por outro lado, fazendo defesa do programa, criticou o tucano e teve a petulância de dizer que antes não havia exames de avaliação. Santo Deus, quem os criou foi o Ministério da Educação comandado por Paulo Renato de Souza, no governo FHC, e contra a forte oposição do PT, com inúmeras tentativas de boicote, tendo Lindemberg Farias liderado o movimento contrário. Contudo, tomando-se por base apenas a propaganda oficial, tem-se a impressão de que os exames de avaliação são obras deste governo, quando não são. Até pelo contrário. Eles simplesmente perderam, com o governo Lula, muitas das suas escelentes finalidades.
Mais: quantos programas o governo Lula clonou de FHC mudando-ljhe apenas o nome? E quantos tucanos foram às ruas para denunciar o uso do chapéu alheio? Quantos escândalos de corrupção estouraram no seio do alto comando do poder, e sem que se tenha visto um único petista punido e sem que, por outro lado, a oposição tenha se mobilizado para condenar as ações de impunidade articuladas dentro do governo? Exemplo clássico? Os dossiês dos "aloprados", na campanha de 2006.
Há poucos dias escrevi um artigo que, já pelo título, sintetizava a minha opinião em relação ao atual quadro: oposição que não faz oposição, não ganha eleição. Nele elenquei uma pilha de razões para as quais as oposições deveriam ter-se mobilizado para uma crítica constante nesta campanha.
Portanto, meus amigos, não falta discurso, falta é competência mesmo. Falta, sobretudo, competência política e vontade de ganhar. Falta um certo compromisso das oposições para consigo mesmas, mas, principalmente, para com o próprio país. Lula ou quem quer que seja por ele ungido ao poder, é danoso para nossas liberdades democráticas, para nossas instituições, até para nosso progresso social e econômico.
Já provei que o leque de programas sociais de que Lula tanto se orgulha, da forma como são executados, eterniza a pobreza e a dependência de seus beneficiários porque não lhes oferece portas de saída. O arquivo do blog tem dezenas de artigos em que demonstrei esta verdade. E não pensem que com Dilma na presidência o quadro irá se alterar. Não vai porque do jeito como está é conveniente para o PT e seu projeto de poder. Dá-se pão e circo, e em troca se rouba a vontade do cidadão e sua capacidade de pensar e de se expressar, e até de escolher. Tornam todos verdadeiras vaquinhas de presépio, proibidas, pelo senso comum que se cria, de criticar e buscar outras direções e alternativas.
Assim, a oposição deveria ter agido em favor do país para evitar o quadro tão bem descrito neste espaço e em alguns poucos que são resistentes e ainda defendem a democracia, o estado de direito, a alternância no poder, a plena liberdade de expressão, estas coisinhas todas para as quais o PT e seus seguidores nutrem verdadeiro ódio.
Mesmo que a eleição não esteja decidida como pretendem alguns, melhor faria José Serra se deixasse claro para a população por quais razões ele é diferente de Dilma. Não é apenas seu currículo, sua pessoa, mas, sobretudo, são suas idéias e posições políticas que são muito divergentes. E se aqui vale a comparação, não é se mostrando não-crítico a Lula que ele o conseguirá. Existem pesquisas qualitativas que mostram que, apesar da sua enorme aprovação, nas questões práticas de governo como saúde, educação e segurança, por exemplo, este governo foi muito mal. Assim, não se pode dissociar a pessoa de Lula do seu próprio governo. Foi nisso que o PT investiu este tempo todo, para se criar o mito sem, contudo, avaliar o resultado danoso desta mistificação para o país.
E o que os tucanos deveriam ou poderiam fazer neste momento? Considerar muito mais estas pesquisas qualitativas e aprumar seu discurso sobre elas, sobre as questões todas que depõem contra este governo, do que se mostrarem o quão responsáveis são em relação às críticas contra Lula e tentar "poupá-lo". Enquanto insistirem nesta estratégia, sem deixar claro ao eleitorado que a propaganda oficial não guarda nenhuma relação com a realidade dos resultados práticos de oito anos de poder petista, vão naufragar. O brasileiro médio está muito mais preocupado com seu dia a dia, mas tem a consciência que há algo de errado na propaganda oficial e isto se acentua cada vez que ele demanda algum serviço público. Despertar isto nele competeria a oposição fazê-lo. Se omitindo, perde seu espaço e a oportunidade. Fazê-lo refletir sobre as mazelas do governo, é função que cabe exclusivamente à oposição. Ou é isso, ou é nada.
Dá tempo para virar o jogo? Não sei, o que sei e sinto, porque saio às ruas e falo com as pessoas e ouço atento o que elas pensam e sentem, é que o país ainda não tem uma oposição preparada para exercer o papel que lhe cabe. E, enquanto for assim, é ela que se derrota a si muito mais do que seus adversários.