Comentando a Notícia
O texto a seguir, foi extraído de um artigo do jornalista Pedro do Coutto, publicado na Tribuna da Imprensa, e complementa o artigo acima. Vocês verão que o jornalista nos faz uma advertência quanto a um estudo que deveria ser feito para que pudéssemos melhor avaliar se, de fato, o país está gerando NOVOS EMPREGOS, ou estamos apenas reciclando o mercado com uma forma de rotatividade de vagas, isto é, pessoas simplesmente pulando de um galho para outro.
A sensação que se tem é que há, mesmo novas vagas sendo criadas em determinadas atividades que tem recebido incentivos do governo em programas específicos, como a construção civil, cujos recursos para financiamento, ampliaram-se bastante nos últimos anos. Porém, é preciso cuidado neste ponto, já que havia um enorme contingente de pessoas desocupadas, provenientes de outras atividades, que desempregarem ou por modernização de sua produção, ou fruto de fusão com outras empresas, ou por Mauá desempenho de gestão, ou, ainda, por dificuldades financeiras provenientes de dificuldades crescentes de exportação, tendo em vista a valorização da moeda, que torna os produtos manufaturados brasileiros menos competitivos lá fora.
Portanto, sem que se tenha melhor avaliação sobre o que realmente no mercado de trabalho, olharmos de forma simples para os números absolutos do emprego, não representa dizer que o país está sanando os seus problemas de mão de obra ociosa.
Também quero chamar a atenção para uma questão que o Pedro do Coutto aborda com muita propriedade: a dos reajustes das contas do FGTS. Sem que se perceba, o governo está faturando em cima dos trabalhadores, uma espécie de confisco disfarçado. Leiam o artigo e reflitam sobre ele para que se tenha a real dimensão entre o discurso oficial, e a realidade. Vejam o caso do salário mínimo: o governo anuncia aumentos reais e faz disto uma bela publicidade. Tudo bem, é um capital político importante que ele cobra. Por outro lado, e é aí que a informação precisa ser correta, precisamos ter em mente que, do aumento que é concedido, quarenta por cento retornam para o governo na forma de impostos cobrados de diferentes maneiras. Então no fundo, o governo está agindo para aumentar sua própria arrecadação, não é verdade? Pensem sobre isso...
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No ano passado, 2009, foram efetuadas nada menos que 17 milhões e 371 mil demissões no país, que causaram saques na conta global do FGTS no valor de 30,9 bilhões de reais. Três milhões e 611 mil trabalhadores e servidores públicos regidos pela CLT completaram o tempo de serviços e se aposentaram, sacando assim seus saldos. Essas duas rubricas conduzem a um montante de 37,5 bilhões aproximadamente. Apesar dessa movimentação, o Fundo de Garantia operou com um resultado positivo da ordem de 6,9 bilhões. A arrecadação alcançou 54,7 bilhões de reais. Esses dados estão contidos no balanço do FGTS, assinado pela presidente da Caixa Econômica, Maria Fernanda Ramos Coelho, e publicado no Diário Oficial de 2 de agosto, da página 24 à página 36.
O total de demissões sem justa causa é um indicador social muito importante, pois ele vem assinalar, sobretudo o elevado grau de mobilidade social da mão de obra brasileira, formada por praticamente 100 milhões de pessoas, quase a metade da população. Por isso, quando o governo, através do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anuncia as admissões, temos que compará-las às demissões. Estas, pelo relatório da CEF, nós sabemos que foram 17, 3 milhões. Quantas são as admissões? São anunciadas em bloco, mensalmente, como se fossem totalmente adicionais ao mercado de trabalho e não – como ocorre – parcialmente substitutivas. Ou seja: as deslocações de um emprego para outro são maiores que a criação de posto novos. Vale a pena ser feita uma pesquisa séria nesse sentido. Deixo a idéia para o IBGE.
Mas o conforto entre entradas e saídas não é ainda totalmente satisfatório para se medir a existência de algum grau de progresso social. É preciso comparar-se a média salarial dos que foram dispensados com a média salarial dos que reingressaram ou então iniciaram suas jornadas. Claro. Porque se a oferta de mão de obra for maior do que a demanda, o valor do trabalho humano vai baixar. Lei da oferta (abundante) e da procura (escassa). Como se constata, este tema possui várias faces como um cubo. Isso de um lado. De outro, temos que incluir como ponto de análise a questão demográfica. O Brasil tem quase 200 milhões de habitantes. A taxa de nascimentos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística é de 1,9 por cento ao ano para um índice de mortalidade de 0,6 por cento. Desta forma, a cada doze meses incorporam-se à população 2 milhões de homens e mulheres.
Como a força nacional de trabalho representa metade do número de habitantes, conclui-se facilmente que o governo tem que agir para que o mercado de empregos absorva, por anos, pelo menos, 1 milhão de jovens. Isso para empatar. Mas o empate, como em certas decisões do futebol, neste caso nos desclassifica. Temos que empregar mais de 1 milhão para descontarmos o déficit social que nos envolve. Se empregarmos menos de 1 milhão estaremos sendo derrotados. Todos nós. O país permanecerá subdesenvolvido. É preciso romper esta barreira.
Não só a da equação entre emprego e população. Mas outra, esta relativa à correção dos saldos das contas individuais do FGTS. Estão sendo realinhadas à base de 0,24 por cento ao mês. Ou 3 por cento ao ano. Mas a inflação anual do IBGE atinge velocidade de 5 por cento. A diferença de 2 por cento fica com a Caixa Econômica Federal. Como o volume do FGTS – o relatório também revela – é de 235 bilhões de reais, o resultado da descapitalização dos empregados e da consequente capitalização da CEF fica em torno de 11,7 bilhões. Menos dinheiro em nosso bolso. Vai para a Caixa você também, como diz o jingle da publicidade.