Villas-Bôas Corrêa
Oito anos nos dois mandatos emendados de presidente da República não mudaram o cidadão Luiz Inácio Lula das Silva pelo que comprovam a cobertura da imprensa do seu primeiro dia de descanso e readaptação à rotina doméstica. E que nada tem de emocionante. Ao contrário, o flagrante de um típico chefe de família da classe média. E até modesta.
A bisbilhotice do repórter foi coroada de sucesso e de surpresas. O cidadão Lula aproveitou o primeiro dia de 2011, em seu apartamento em São Bernardo do Campo, no ABC paulista para descansar na cadência da rotina doméstica. A primeira refeição, preparada pela esposa, a ex-primeira dama Marisa Letícia foi o trivial: pastéis, feijão e arroz.
Para quem acordou às 9h, de camiseta, bermuda e chinelo, leu os jornais e assistiu ao noticiário da televisão, a surpresa alimenta a desconfiança do leitor. Para começo de conversa, Lula foi coerente nas conversas e entrevistas de que não lia jornais, revistas, livros – com a exceção da biografia de Garrincha, a alegria do povo, que conseguiu folhear, detendo-se em alguns trechos. Ler é um tormento pelas dores de cabeção que o infernizam. Numa amabilidade típica, Lula mandou dizer aos jornalistas de plantão na rua, que tinha pena deles, mas estava descansando. São as contradições da vida.
Lula não apareceu na janela do seu apartamento. Só um dos seus filhos, Marcos foi visto na sacada. Mas, não falou uma palavra com os jornalistas.
O movimentou o edifício foi a chegada de carros com placas de Brasília com as bagagens de Lula e de dona Marise
A aposentada Maria da Graça Novais dos Santos Leite, com 49 anos bem vividos faz o contraponto da fidelidade dos lulistas de fé. Ela saiu de Ribeirão Preto, a 339 quilometros de São Bernardo e desde segunda-feira e por três dias e noites faz plantão na porta do prédio de Lula, animada pela expectativa de ser recebida pelo seu ídolo. Nas longas conversas com os repórteres, contou que ajudou a fundar o PT na sua cidade. No plantão à espera do abraço de Lula, suporta a chuva e o cansaço enrolada numa bandeira do PT. Seu filho Guilherme Leite, de 20 anos é a companhia da mãe no infindável plantão.
Aos repórteres que se surpreendem com a sua obstinação, Maria da Graça justifica-se com a simplicidade do seu fanatismo: ela não pode regressar a Ribeirão Preto sem um abraço de Lula e entregar ao seu ídolo, o poema que fez em sua homenagem.