Adelson Elias Vasconcellos
Anuncia-se para logo mais, no Jornal Nacional, Rede Globo, uma entrevista do ministro Antonio Palocci. A conferir.
Até aqui, ele tem se mostrado irredutível na defesa da confidencialidade dos contratos de sua empresa de consultoria, o que significa que não poderá responder aos principais questionamentos que certamente lhe serão feitos.
Em recente jantar oferecido por Dilma Rousseff à cúpula do Poder Judiciário, no Palácio da Alvorada, Palocci reiterou que não abrirá a carteira de clientes – e, portanto, qualquer dado mais importante que permita avaliar se ultrapassou a fronteira entre a consultoria e o tráfico de influência.
“Perco o cargo, saio, mas não quebro o sigilo dos contratos”, teria dito numa roda de conversa, segundo a versão de um dos participantes do jantar. Se mantiver esta posição, Palocci poderá conceder mil entrevistas sem que desanuvie a suspeita que pesa sobre si.
É preciso destacar que, ao tempo em que o ministro prestou as tais consultorias e palestras, ele não encarnava a pele de um cidadão qualquer. Era deputado federal, pertencia de forma proeminente à base parlamentar de apoio ao governo, e do muito do que recebeu, parte considerável foi paga quando ele já fazia parte dos encarregados pela presidente recém eleita de negociar a formação do futuro ministério. Portanto, e dado que as consultorias poderiam, flagrantemente, constituir-se em tráfico de influência, tem por obrigação o senhor Antonio Palocci, já que vivemos num regime democrático, de prestar contas à sociedade.
Não acredito nem que ele esclarecerá quaisquer das dúvidas que pairam sobre seu enriquecimento rápido, tampouco acrescentará algo de relevante ao que já se sabe. Por conta disso, entendo que sua entrevista poderá é apressar a sua própria saída, uma vez que a crise continuará a existir enquanto o ministro se mantiver irredutível quanto aos esclarecimentos que ele deve, mas se nega em prestar.
Portanto, com ou sem entrevista, entendo que o melhor para o próprio sossego do governo Dilma, seria seu afastamento imediato, ou por iniciativa própria ou decisão presidencial.
Este papo furado de que Palocci representa um grau de segurança de que o governo Dilma não escorregará às tentações autoritárias de seu partido, é problema que cabe à presidente Dilma resolver. Creio até que este é o momento exato dela mostrar sua tão festejada competência, mas na prática, não no discurso nem na propaganda oficial.
Ou Dilma começa a andar por suas próprias pernas e a saída de Palocci marcaria o início efetivo de seu reinado, ou ficará refém dos desmandos de seus aliados nos próximos 3 anos e meio que lhe restam de mandato, comprometendo, inclusive, os projetos de poder do PT. Dilma precisará escolher entre o interesse soberano do país ou aos interesses da politicagem miúda de seu partido.