sábado, junho 04, 2011

Já vai tarde

Lucia Hippolito

 

Apanhado com a boca na botija, desmentido por um simples caseiro.

Foi assim que ficou demonstrado que o poderosíssimo ministro da Fazenda Antonio Palocci ia, sim, constantemente a uma alegre casa de Brasília, frequentada também por amigos de Ribeirão Preto, lobistas e garotas de programa, tudo “regado” pelos recursos “não contabilizados” do mensalão.

Confrontado com os fatos, Palocci primeiro mentiu consistentemente em vários fóruns: comissões do Congresso, entrevistas, sorrisos, encontro com banqueiros e empresários amigos — amicíssimos.

Mas o caseiro insistia.

Saiu do governo demitido por Lula, por pressão da opinião pública, depois de ter comandado a violação do sigilo bancário de um cidadão indefeso, cujo único crime tinha sido o de ter reconhecido a presença de Palocci, não uma, mas inúmeras vezes na “alegre mansão dos prazeres”.

Absolvido no STF num julgamento esquisitíssimo, por cinco votos a quatro, em que o voto que o livrou de um processo foi todo construído para torná-lo réu, e subitamente no último parágrafo o livrou, Palocci se sentiu com o caminho livre para continuar suas estripulias.

Não considerou haver nenhum impedimento ético ou moral ser deputado, pertencer à Comissão de Finanças e Tributação e, ao mesmo tempo, exercer consultorias remuneradas a peso de ouro para empresas ávidas de manter boas relações com o governo petista.

Coordenador da campanha de Dilma Rousseff, alega que interrompeu suas atividades milionárias, mas curiosamente, depois que a candidata foi eleita, recebeu R$ 10 milhões de seus “consultados”.

Comprou um apartamento de mais de R$ 6 milhões e um escritório de R$ 800 mil.

Seria a empresa de Palocci o correspondente à SMP&B de Marcus Valério? Caixa de um novo mensalão?

Teria Palocci retirado uma “pequena comissão” sem avisar os companheiros petistas de São Paulo? Porque não resta dúvida que veio do PT de São Paulo a denúncia de que o ex-médico sanitarista trotskista tinha virado um capitalista sensacional e aumentado mais de 20 vezes seu patrimônio. Alguns dizem que aumentou mais de 50 vezes!

E o que faz Palocci diante da enxurrada de perguntas?

Se deu certo uma vez, por que não tentar a segunda?

Cala-se. Depois mente, mente, mente. Se aparecer um novo problema, o STF está ai mesmo para livrá-lo de mais essa.

E não é que o problema surgiu, na figura de dois “laranjas” que aparecem como donos de uma empresa que aluga o apartamento onde Palocci mora em São Paulo?!

E mais: Gesmo Siqueira dos Santos, tio de Dayvini (laranjas que formalmente aparecem como donos do imóvel), responde a 35 processos, incluindo falsificação de documentos.

Entre a biografia e o prontuário, pelo visto Palocci já escolheu o prontuário.

E não é de hoje.