Míriam Leitão – O Globo
No momento em que os EUA derrubam a barreira artificial ao etanol - o que pedimos durante 30 anos -, o Brasil está importando o produto de lá, o que é uma contradição absurda. Esse é apenas um dos nós da nossa política de combustíveis.
O etanol compete com a gasolina; seu preço tem de ser, no máximo, 70% do da gasolina, cujo preço é mantido no mesmo patamar de maneira artificial.
A Petrobras paga mais pela gasolina importada do que cobra das distribuidoras. Não podia repassar para o consumidor a diferença para a inflação não subir. Depois, o governo reduziu a Cide, tributo que incide sobre os combustíveis, abrindo mão desse imposto. A Petrobras repassou, então, para as distribuidoras, mas o aumento não chegou às bombas. Uma grande confusão.
Agora, chegamos a esse ponto: em cada litro de etanol, incidem R$ 0,46 de PIS/Cofins. Na gasolina, são R$ 0,26. É absurdo cobrar mais imposto de um combustível que emite menos gases de efeito estufa. Deve ser o único caso de país que incentiva o combustível fóssil e pune o que emite menos.
Na semana passada, entrevistei no programa Espaço Aberto, da Globonews, José Carlos Grubisich, presidente da ETH Bioenergia, empresa de açúcar e álcool do grupo Odebrecht; e Ismael Perina Júnior, presidente da Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana).
Os plantadores passaram por vários problemas: houve quebra de safra por seca e geada, além de dificuldades financeiras.
A situação é tal que o Brasil produz 20 bilhões de litros, mas há demanda potencial para 35 bilhões, sem falar na exportação.
Não estamos produzindo para o nosso mercado nem aproveitando essa oportunidade aberta no mercado internacional, apesar de o Brasil controlar há muito tempo toda a cadeia do etanol