Adelson Elias Vasconcellos
Leiam a notícia a seguir publicada na Folha. Comento em seguida.
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Estado deve fazer mídia para a classe C, diz ministro
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho (PT), afirmou ontem que a chamada nova classe média não pode ser deixada “à mercê” dos meios de comunicação no país. Em discurso no Fórum Social Temático, ele disse que o governo deve “radicalizar” a democracia e investir em comunicação de massa, sem uso de autoritarismo. “Toda essa gente que emerge ficará à mercê da ideologia disseminada pelos meios de comunicação?”, perguntou Carvalho a uma plateia formada por ativistas de esquerda. “Aqui, com todo o cuidado, o Estado pode ter uma vertente autoritária. Como fomentar um processo de ampla comunicação de massa que possa ser o palco desse grande debate democrático?”, questionou.
No debate, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), acusou a mídia de fazer campanha contra políticos “em escala global”. De acordo com o governador, o objetivo seria “a despolitização e a despartidarização na democracia”. Gilberto Carvalho disse que o governo não pode ter “ciúme das clientelas” que não batem mais às suas portas, numa referência a quem deixou o programa Bolsa Família, e defendeu uma disputa ideológica com líderes evangélicos pelos setores emergentes.
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Como poderia classificar o besteirol do secretário Gilberto Carvalho? Vista do modo e onde se deu, soa como ameaça à imprensa ainda livre e independente, já que ela não se curva ao governo do PT. Se sujeira há, ela publica e pronto. Não precisa pedir permissão ao presidente da república e seus ministros e secretários para usufruir um direito que a Constituição lhe assegura. Ou seja, a liberdade de imprensa é uma conquista da sociedade brasileira (e ela não resume apenas em petistas), e não precisa de concessões ou licenças especiais para ser exercida. A fala de Gilberto Carvalho denota bem a meta petista de por freios na imprensa ainda livre que vigora no Brasil. E o leitor mais apressado questiona: “mas como, a imprensa é livre, não é o que diz a Constituição?”.
Pois é, nem sempre a letra fria da lei no Brasil é levada em conta. Exemplo bem claro disso está na decisão (infeliz) do STF que, arbitrariamente, alterou dispositivo constitucional para acolher o acasalamento homossexual. E o fez, esclareça-se, sob violenta pressão de movimentos ditos “sociais”. Assim, a declaração dada pelo ministro Marco Aurélio à Folha de São Paulo, a de que o Judiciário não aceita ser emparedado, é bonitinha apenas no discurso. Na prática, vimos, isto não é bem assim, não é, senhor ministro?
Mas retomo o comentário sobre a declaração do secretário da Presidência no governo Dilma. Em resposta a questão aberta lá no alto, devemos reconhecer, por ser um fato concreto, que hoje apenas uma parcela da imprensa brasileira pode-se considerar livre. Sim, porque outra parte, aquela que é feita de pequenas e médias empresas de comunicação está sob o cobertor estatal. O governo petista acaba sendo seu tutor, lá está o editor chefe que determina o que deve e o que não se deve ser publicado ou informado. Explico: o governo federal é hoje o maior anunciante do país. Para a distribuição e rateio da dinheirama, o jogo é claro: se a linha editorial for favorável ao poder, ou seja, se a imprensa for chapa branca, aí os recursos entram fartamente. Do contrário, além da ferrenha oposição a ser movida pelo poder, abre-se uma verdadeira guerra pelos bandoleiros a serviço do petismo e, claro, a grana da publicidade desaparece.
Portanto, boa parte da imprensa brasileira já está devidamente “regulada” pelo petismo. A outra banda, a que ainda se comporta de maneira independente e que, por isso, se aventura em denunciar as bandalheiras do governo federal, as maracutaias da classe política e a pilantragem do Estado cada dia mais ganancioso por impostos e mais irresponsável pela péssima qualidade dos serviços que retorna à sociedade, vai sofrer cada vez mais o assédio imoral (e por enquanto ilegal) do governo petista para ser “controlada”. Para estes porcos fedorentos do socialismo, imprensa livre admite-se só a que remar a favor do governo petista. Ou o leitor acha que estas bolsas caças votos que se distribuem a mãos cheias, conjugadas com a educação cada vez mais ideologizada que o PT espalha pelo país desde 2003, tem outro objetivo senão um projeto permanente de poder?
Claro que a estupidez deles vem acobertada pela auréola de “benfeitoria” para o povo, esquecendo de confessarem e assumirem os milhões de cadáveres que espalharam ao longo da história por a sua ideologia passou!!!
Assim, ao senhor Gilberto Carvalho o que se pode responder pela ameaça ignorante de um pseudodemocrata é que, no dia em que as esquerdas assumirem os crimes que cometeram, e que o próprio Carvalho vier a público confessar sua participação em crimes como o assassinato do prefeito Celso Daniel e a roubalheira no Bancoop, (fora o resto), talvez ele ganhe moral e a gente lhe dê crédito para estas declarações autoritárias, próprias de um grupelho de assaltantes dos cofres públicos, que se vê ameaçado pela verdade de si mesmo que a livre imprensa possa noticiar, desmascarando-lhes a hipocrisia e desfaçatez.
Quanto as declarações dele, da Dilma e corriola que os cerca, sobre a operação de desocupação do Pinheirinho, duas perguntas:
a.- Como a invasão se deu em 2004, portanto, já sob o governo petista (1º mandato de Lula), por que o governo federal não agiu em tempo de evitar a operação, ou estava apostando no confronto para exibir cadáveres e sangue das vítimas no horário eleitoral?
b.- Diante do mandado judicial, o que eles sugeririam que o governo do Estado de São Paulo fizesse, ignorasse e descumprisse a lei, coisa na qual o PT é especialista?
Até porque, e conforme estampado em manchete de primeira página na Folha de São Paulo, a presença da PM na Cracolândia, por exemplo, que tem sido alvo da crítica severa tanto do senhor Gilberto Carvalho quanto de sua chefe, a presidente Dilma, é aprovada por 82% da população. Ou será que o povo é respeitado pelo PT só quando está aplaudindo suas causas?
Esta turma da esquerda é boa de discurso, como se vê, mas péssima em viverem em ambiente com plenitude democrática!!!! Se o Estado que eles governam sequer consegue oferecer serviços públicos decentes, e isto é o mínimo que se deve cobrar do poder público, que competência terá este mesmo governo inepto e incompetente para ensinar jornalismo às empresas de comunicação?
É bom o senhor ministro ter em mente que, para quem tem telhado de vidro, o melhor a fazer é ficar de bico calado, e não ficar levantando desculpas para restringir a democracia brasileira à mera nomenclatura, como tem sido usual em governos dos "companheiros bolivarianos" da Bolívia, Venezuela, Argentina e Equador. O país lutou mais de vinte anos para recuperar um dos direitos básicos das democracias, que é a liberdade de expressão, senhor ministro, e não admitirá que um secretariozinho de meia pataca, que já responde a processo no caso do BANCOOP, além de suspeito em outras lambanças, venha lhe ensinar como desfrutar deste direito. A luta pela redemocratização não foi para trocar um arbítrio por outro, senhor Gilberto Carvalho!