quarta-feira, julho 25, 2012

Agenda pró-investimento aproxima Dilma e FHC. Será que estamos nos civilizando? Tomara!!!


Comentando a Noticia

O jornal digital Brasil 247 publicou um excelente texto, otimamente ilustrado pela foto abaixo, sobre o plano do governo Dilma para atrair os investidores privados para um programa de concessões, que visa recuperar grande parte da sucateada infraestrutura brasileira. 

Os técnicos do governo ainda estudam as regulamentações que nortearão o processo das concessões, portanto, não podemos prever se o programa, de fato, trará a modernidade até o país. 

Mesmo que a trancos e barrancos, e ainda exibindo um discurso meio vigarista, os petistas estão se convencendo de que o governo brasileiro não tem poupança suficiente para bancar um programa audacioso para recuperar e expandir as malhas rodoferroviária, os terminais aeroportuários e incentivar e dinamizar o transporto hidroviário. A resistência ideológica retrógrada, custou ao país pelo menos uma década de atrasos, prejuízos e perda de competitividade  da nossa indústria. 

Daí porque, mesmo diante da perspectiva de o ranço ideológico do atraso venha ruir, é preciso manter cautela porque o sucesso do programa dependerá, primordialmente, das regras que serão criadas. O governo precisa entender que concessão não é venda, muito embora dentro da necessidade de desestatização. 

Exemplo disto pudemos notar no sucesso da telefonia. De 4 milhões de linhas quando estava tudo concentrado em poder do Estado, o país pulou,  em apenas uma década, para mais de 200 milhões, Quanto isto representou em investimentos, emprego, renda e bem estar social? E o processo foi tão bem feito que, a partir do momento em que as concessionárias reduziram a qualidade dos serviços, o governo pode intervir e cobrar das teles mais investimentos e qualificação. O que comprova a qualidade do modelo adotado. E sem que o governo esteja presente no capital das concessionárias, ao contrário do que ocorreu recentemente com a privatização de aeroportos em que o governo obrigou a permanência da Infraero em 49% do capital, o que é um absurdo. 

Quanto à ilustração abaixo, ela é demonstrativa de um daqueles raros momentos em que o Brasil parece dar provas de que ainda pode se tornar um país civilizado, onde as divisões se deem, da forma mais democrática possível, apenas no campo das ideias, sem ódios nem extremismos.

O que a população quer é qualidade dos serviços públicos, seja ele controlado pelo Estado ou pela iniciativa privada. Está na hora então deste povo  parar de ser enganado pelas esquerdas, porque no fundo não é a presença maior do Estado que elas defendem, e sim os empregos e bocas ricas para companheirada se esbaldar.  E este modelo a gente sabe aonde vai dar: a falência completa dos serviços. Aliás, aquela parte da imprensa ainda refratária à modernidade do país, bem que poderia ajudar, informando melhor que o Brasil não está sendo rifado para o capital internacional. Está é aproveitando este capital para o seu crescimento e desenvolvimento sem nunca deixar de ser Brasil. E todos, sem exceção,  saem ganhando, porque o que importa não é quem fez o quê, o que, no fundo interessa de fato, é quem e quantos se beneficiaram.  

Segue o texto do 247.

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Programa de concessões que será lançado em agosto tentará atrair recursos privados para novos investimentos em infraestrutura e será um ponto de convergência entre petistas e tucanos; Brasil já está maduro para um debate econômico mais pragmático e menos ideológico

 Foto: Juca Varella/Folhapress

Espera-se, para os primeiros dias de agosto, o anúncio de um megapacote de investimentos em infraestrutura. Nesta cerimônia, a presidente Dilma Rousseff tentará marcar uma nova virada em seu governo, abrindo uma agenda favorável aos investimentos privados. Serão anunciadas novas concessões de estradas, portos, ferrovias e aeroportos. Neste modelo, a maior parte dos trabalhos ficará a cargo do setor privado.

Com isso, a presidente pretende combater o baixo dinamismo da economia pelo lado do investimento – e não apenas do consumo, como tem sido feito até agora. Embora esteja falando de concessões voltadas a projetos futuros, e não da venda de ativos existentes, Dilma estará abrindo um espaço maior para que o setor privado atue em setores considerados essenciais e estratégicos. Esta agenda a aproximará do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que em entrevistas e discursos tem defendido reformas que ampliem a produtividade da economia brasileira.

O movimento de Dilma já começou a despertar um embate ideológico entre os que defendem a privatização e os que combatem a “privataria”. Nos jornais de hoje, comenta-se que assessores do Palácio do Planalto planejam uma “vacina” para a divulgação do programa, de modo a evitar que o pacote soe como privatista. Por outro lado, ex-assessores de FHC, como a economia Elena Landau, comentam que Dilma teria se rendido à privatização.

Esse tipo de maniqueísmo, como se houvesse um “certo” e um “errado”, não faz bem ao debate. Dilma hoje tem condições de fazer concessões melhores do que as de FHC por uma razão muito simples: o Brasil progrediu muito nos últimos anos e a taxa de risco caiu. Não só o risco econômico, como também o risco político. O que significa que os projetos a serem implantados no Brasil demandarão uma taxa de retorno menor do que no passado.

Assim, Dilma terá o mérito de abrir concessões de rodovias com pedágios mais baratos do que os de FHC, bem como em outros setores da economia. Ao transferir à iniciativa privada projetos de infraestrutura, ela também certamente reduzirá o potencial de corrupção. Afinal, se as estradas e ferrovias forem concedidas ao setor privado, as obras não serão mais tocadas por personagens como José Francisco das Neves, o Juquinha, e Valdemar Costa Neto.

O Brasil já está maduro para uma convergência maior entre petistas e tucanos.