Dimmi Amora e Gustavo Patu
Folha de São Paulo
A ministra do Planejamento, Mirian Belchior, anunciou nesta quinta-feira um aumento de 32% nos gastos do governo com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no primeiro semestre desse ano, comparado ao mesmo período de 2011.
Segundo o balanço, o programa como um todo já executou em um ano e meio R$ 324 bilhões, o que significa 34% do previsto no início do projeto.
Segundo o balanço, 30% dos projetos estão concluídos. A cerimônia contou com a presença de oito ministros, além de Mirian.
"O PAC está muito próximo de uma distribuição linear no tempo", disse Mirian Belchior em relação às execução orçamentária. "O PAC continua a sua trajetória de a cada balanço ter um desempenho melhor que o anterior".
Os números, no entanto, encobrem uma piora de desempenho justamente no foco original do programa: as obras públicas de infraestrutura destinadas a ampliar o potencial de crescimento econômico do país.
Em valores corrigidos pela inflação, as obras do PAC receberam R$ 8,4 bilhões do Tesouro Nacional no primeiro semestre, de acordo reportagem da Folha.
O valor é inferior aos R$ 9,6 bilhões do mesmo período do ano passado e, mais ainda, aos R$ 10,1 bilhões aplicados nos seis meses iniciais do ano eleitoral de 2010.
O aumento do desembolso geral do PAC é devido aos gastos com o programa Minha Casa Minha Vida, que alcançaram R$ 108 bilhões disponibilizados no semestre, segundo o governo.
O anúncio manteve a política de maquiar os dados. Obras que estão muito atrasadas, como a Ferrovia Norte-Sul, o Trem-Bala, a Transposição do São Francisco e o Arco Metropolitano do RJ, têm seus prazos de conclusão adiados e o governo mantêm nelas o selo de que estão adequadas.
O secretário de acompanhamento econômico do Ministério da Fazenda, Antonio Henrique Silveira, afirmou durante a cerimônia que a expectativa do governo é que o país voltar a crescer 4,5% já no 4º trimestre deste ano e que o PIB vai acelerar para 4,5% de crescimento no semestre seguinte.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Reparem neste trecho: "...Em valores corrigidos pela inflação, as obras do PAC receberam R$ 8,4 bilhões do Tesouro Nacional no primeiro semestre, de acordo reportagem da Folha..." "... O valor é inferior aos R$ 9,6 bilhões do mesmo período do ano passado e, mais ainda, aos R$ 10,1 bilhões aplicados nos seis meses iniciais do ano eleitoral de 2010".
Ou seja, o governo continua no mesmo embalo de sempre: enrola, enrola, e sequer sai do lugar, até engata marcha ré em seu "estrondoso" programa de investimentos.
É impressionante a capacidade da turma em manipular informações para parecerem eficientes. Contudo, melhor leitura nos números fornecidos por ele mesmo, externa a sensação que se tem, e não se trata de coisa recente, de que o país está parado.
Lançam-se programas e projetos a esmo, com enorme estardalhaço na imprensa, com pomposa e custosa solenidades de lançamento, com discursos, convidados especiais e todo o cerimonial de praxe. Mais adiante, quando vamos espiar estes mesmos programas e projetos, ou estagnaram, ou sequer saíram do lugar. Ou seja, trata-se de um governo cheio de boas intenções, mas de maus resultados práticos. E, afinal, o que conta na hora de avaliar, é o resultado que, infelizmente, neste governo como houvera sido no anterior a ele, continua ruim. Na única área em que é possível notar sensível progresso é no da propaganda. Esta vai de vento em popa, vendendo aos olhos e ouvidos do povo brasileiro um país de sonhos, de fantasias, com estradas de primeiro mundo, escolas dotadas de laboratórios técnicos de avançada tecnologia, de norte a sul apinhado de creches, quadras poliesportivas que nem o parque olímpico de Londres foi capaz de construir, hospitais moderníssimos e para os quais a Anvisa não impediu a importação de equipamentos médico-cirúrgicos de primeira linha. Infelizmente, ao acordar, a gente vê que este Brasil da propaganda oficial ainda está muito distante de nós.
O ruim nisto é que a propaganda consegue enganar a realidade que cerca todos nós, e alguns inocentes se deixam engambelar, acreditando que a realidade é que é a fantasia.