quarta-feira, outubro 24, 2012

Tombini: visão de que Brasil depende da China é “extremada”. Mas há controvérsias...


Lilian Sobral
Exame.com

Presidente do BC diz que economia chinesa caminha para “pouso suave”, mas impactos no Brasil são limitados

©AFP / yasuyoshi chiba
Para Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, 
visão de que Brasil depende da China é exagerada

São Paulo – Embora o governo da China tenha adotado medidas para impedir uma desaceleração mais pronunciada da economia, ainda persistem os sinais de “pouso suave” no país. Essa é a visão de Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, que participou hoje, em São Paulo, do ciclo de palestras e almoços Encontros EXAME.

Essa desaceleração poderia ter efeitos na economia global, mas de maneira limitada no Brasil. “Existe uma percepção extremada de que a economia brasileira é dependente da economia chinesa”, disse Tombini, que contou que frequentemente os investidores estrangeiros perguntam sobre essa relação de dependência.

O presidente do BC defendeu que essa visão é exagerada por dois motivos. Primeiro porque, segundo ele, o Brasil ainda é uma economia relativamente fechada. “As exportações brasileiras correspondem a apenas 10,7% do nosso PIB”, disse.

Em segundo lugar, porque o país tem uma pauta de vendas diversificadas, tanto em produtos quanto em países de destino. Segundo Tombini, 17,7% das exportações brasileiras vão para a China, ou 2% do PIB.

Isso não quer dizer que o Brasil não sofra nenhum impacto de uma possível desaceleração chinesa. Segundo ele, o fraco desempenho da economia mundial e a desaceleração do ritmo de crescimento da economia chinesa, são fatores que contribuem com o recrudescimento do comércio internacional e têm efeitos sobre o Brasil.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Creio que o presidente do Banco Central está subestimando a importância da China e seu crescimento em relação ao Brasil.

A começar pela balança comercial. Uma repentina e brusca queda no ritmo de crescimento do país asiático provocaria redução nas exportações de nossas commodities. Sem contar na queda dos preços internacionais. Só neste quesito, já teríamos um duplo impacto negativo. Como nossos superávits, desde há muito tempo, são mantidos justamente pelas commodities, qualquer abalo tanto no volume exportado quanto nos preços internacionais conduziriam o país, inevitavelmente, a um déficit comercial. 
Por outro lado, tem sido graças aos importados que a demanda interna tem sido atendida, razão que sustenta, em relativo equilíbrio, nossos índices de inflação.  Se os preços dos produtos chineses se acelerarem, teremos forte impacto nos preços internos. 

Assim, o melhor seria, de um lado, o Brasil alargar suas parcerias  comerciais, além de implementar uma política industrial capaz de devolver competitividade aos manufaturados e semimanufaturados brasileiros. E neste quesito, o pacote de medidas é vasto. E, por outro lado, rezar muito para que este “pouso suave” da economia chinesa seja muito suave, mas muito suave mesmo, do contrário, vai respingar alguma porcaria por aqui, dado o enorme grau de dependência que a nossa economia mantém em relação à chinesa.