O Globo
Nelson Bocaranda e José Marquina disseram que líder teria morte cerebral e derrame
Em foto divulgada pelo site oficialista Cubadebate, Fidel Castro aparece
lendo o jornal Granma datado do dia 19 de outubro deste ano
RIO - A divulgação de fotos de Fidel Castro no último domingo, com o ex-vice-presidente venezuelano, Elías Jaua, e na madrugada de segunda-feira no site oficialista Cubadebate, não foi o suficiente para provar a boa saúde do líder cubano tanto para o jornalista Nelson Bocaranda - que há uma semana ajudou a disseminar boatos de que Fidel havia sofrido morte cerebral - quanto para o médico José Rafael Marquina - que assegurou que o líder havia passado por um derrame.
Em suas contas no Twitter, os dois venezuelanos oposicionistas afirmaram que as fotos divulgadas tratam-se de montagens. No domingo, Bocaranda - conhecido por ter revelado que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, sofria de câncer - afirmou que a foto de Fidel “era o pano de fundo da crise na cúpula cubana”. Em artigo publicado em seu site RunRun.es, o jornalista comentou a primeira das fotos, divulgada por Jaua no domingo, em que Fidel aparece com o ex-vice-presidente venezuelano em uma van com sua mulher, Delia Soto del Valle - que segundo Bocaranda, não costuma aparecer em público -, e Antonio Martinez, diretor do Hotel Nacional e segurança de Fidel por muitos anos, além de mais duas pessoas.
Para ele, a montagem havia sido feita por pessoas da estreita confiança de Fidel.
“A cabeça do líder estava totalmente fora do eixo na foto” - afirma no artigo. “Além disso, o ex-vice-presidente Elías Jaua disse haver passado o dia anterior (sábado) conversando durante cinco horas com Fidel em sua casa em “El Laguito”. Por que a foto não foi feita lá? Por que Fidel não falou com mais ninguém, se está tão bem? - questiona.
Pouco depois da divulgação das segundas imagens, também em Havana, o médico José Marquina disse em sua conta no Twitter que “as montagens exibidas de Fidel eram muito boas”. Para embasar seu argumento de que as fotos seriam falsas, o venezuelano disse que o líder cubano sempre usou óculos de aumento e em uma das imagens aparece lendo o jornal oficial “Granma” sem as lentes. E continuou o ataque:
“O triste é o sofrimento que os povos venezuelano e cubano estão vivendo por essa ideologia de atraso comunista”, escreveu o médico. “A mentira e a enganação são a bandeira dos regimes comunistas totalitários”.
A oposicionista cubana Yoani Sánchez, que não se manifestou diretamente sobre os rumores sobre a morte de Fidel à época, limitou-se a questionar a ausência do líder cubano nas eleições, que aconteceram no mesmo dia que a primeira foto foi divulgada, no último domingo.
“Não entendo nada. Se dizem que Fidel Castro foi ao Hotel Nacional, porque não esteve no colégio eleitoral para exercer seu voto?”, perguntou em sua conta no Twitter.
