quinta-feira, novembro 01, 2012

Governo admite alterar edital do trem-bala RJ-SP para permitir participação de consórcio coreano Hyundai


Jorge Serrão  
Alerta Total 

O edital do faraônico e caríssimo trem bala que ligará São Paulo-Campinas-Rio de Janeiro abrirá uma brecha para permitir a habilitação do grupo liderado pela coreana Hyundai. Prioridade da Presidenta Dilma Rousseff, o negócio movimentará exorbitantes R$ 50 bilhões no desafio de engenharia de construir 412 Km de ferrovia para um Trem de Alta Velocidade que só o tempo provará ser realmente viável economicamente.

O presidente da estatal brasileira que tocará a obra, Empresa de Planejamento e Pesquisa (EPL), Bernardo Figueiredo, admitiu ontem que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) poderá mexer em algumas regras do edital que atualmente exigiria um mínimo de 10 anos de experiência na operação de trens de alta velocidade. A Hyundai tem oito anos e meio de operação no setor. E a empresa é a preferida da Dilma - por ter fama de boa operadora.

O tão aguardado e sempre adiado edital para habilitar consórcios deve ser publicado em duas semanas. Haverá leilões na BM&F Bovespa para implantação da tecnologia (trilhos, sistemas e o próprio material rodante), manutenção e operação do sistema e para construção das linhas. As licitações devem ocorrer a partir da metade de 2013 – se nada der ainda mais errado até lá.

O projeto do trem bala da Dilma é um vai e vem que parece não ter fim. Inicialmente, se previa que a ferrovia custaria a fortuna de R$ 18 bilhões. Depois, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) chegou estipular no custo da obra para R$ 33 bilhões. Agora, especialistas avaliam que a obra faraônica – e cheia desafios de engenharia – não sai por menos de R$ 50 bilhões. O TAV seria construído na forma de PPP - Parceria Público Privada.

A Viagem entre Rio e São Paulo pela classe econômica custaria hoje, no máximo, 201,88 reais. Mas o valor, será corrigido pela inflação até o início da prestação do serviço – que sabe-se lá quando realmente acontecerá. O governo estima que o trem-bala terá 42 milhões de passageiros por ano em 2020. A frequência mínima de viagens entre Rio e São Paulo será de três trens por hora em horários de pico e uma composição a cada 40 minutos nos demais horários.

Fazer o trem-bala é prioridade para a Presidente Dilma Rousseff. Para viabilizar o negócio, o BNDES entraria com 70 % dos investimentos. Os Fundos de Pensão de Empresas Públicas e Funcionalismo Federal entrariam com 10% da grana e os 20 % caberiam ao consórcio vencedor. Neste formato capimunista de negócio, como de costume, o Estado facilita a vida da iniciativa privada. E as empresas que faturam alto na empreitada retribuem o favor com generosos financiamentos nas campanhas eleitorais ou outros esquemas de “mensalões” mais sofisticados.