sábado, novembro 17, 2012

Para combater gastos, Gol elevará tarifas no ano que vem


Niviane Magalhães  
Brasil Econômico 


Presidente da Gol afirma que em 1º de janeiro a Smiles deixará de ser uma divisão da Gol e passará a ser uma empresa independente.

O resultado trimestral fraco da Gol e o aumento de 14% dos custos operacionais fizeram com que a empresa decidisse elevar o valor das tarifas das passagens a partir de 2013.

"Já temos sinalizado novos aumentos das tarifas para o ano que vem e o pilar da geração de caixa será mantido", disse Paulo Kakinoff, presidente da companhia, durante teleconferência para analistas e investidores.

Pedro Galdi, analista-chefe de investimentos da SLW Corretora, conta que a empresa se endividou muito na guerra por participação no mercado, reduzindo os preços das passagens. "Com isso, a demanda aumentou e tiveram que contratar mais gente. Além disso, ela comprou a Webjet. Não tinha como não se endividar".

No entanto, o presidente garantiu que é uma questão de tempo para a empresa recuperar as margens e voltar a ter finanças saudáveis.

"A Gol já está passando por uma reestruturação profunda para melhorar e isso já está dando resultados, como vimos uma redução no prejuízo, mas ainda vai demorar muito", completa o analista.

De acordo com Galdi, a estratégia de aumentar o preço das tarifas só trará retorno à companhia aérea se for confirmada a recuperação da economia brasileira, o que elevará a demanda por eventos e, consequentemente, por passagens aéreas. "Por outro lado, a questão do combustível ainda vai continuar a pesar sobre os resultados", aponta Galdi.

Além disso, Kakinoff aposta na padronização da frota antes de expandir a malha aérea. Para ele, o ideal agora é elevar o nível de utilização dos aviões. "Podemos até reduzir as frotas se as malhas tiverem complementaridade. A Delta, por exemplo, é acionista na Gol. Com isso, o cliente poderá fazer escalas ou comprar passagens desta companhia", analisa.

O presidente complementa ainda que o objetivo é ter tarifas competitivas internamente e fazer voos regulares diários para Miami, Orlando, Atlanta e Nova York. Esses dois últimos locais com cobertura da Delta.

Daniel Spilberg e Felipe Vinagre, analistas do Barclays, apontam, em relatório, que mais uma rodada de resultados negativos é iminente. Por outro lado, destacam as estratégias feitas pela a empresa para reduzir os custos.

Para Edmar Lopes, diretor de relações com investidores da Gol, um dos propósitos em 2013 e 2014 é evitar aumentar as dívidas. "O ideal seria uma margem ebit em 10% para fazer frente aos investimentos e ter geração de caixa", pontua.

Programa de fidelidade
O presidente Paulo Kakinoff afirmou ainda que em 1º de janeiro a Smiles deixará de ser uma divisão da Gol e passará a ser uma empresa independente, assim como é hoje a Multiplus, da Tam.

No entanto, ainda não foi definido se o Smiles será uma subsidiária da VRG Linhas Aéreas, controlada pela Gol, ou se será uma empresa irmã da VRG. Segundo Pedro Galdi, a nova empresa deverá seguir o mesmo modelo da Tam, ou seja, os acionistas ganharam ações da Multiplus.

"Até o final do ano a operação será segregada internamente, terá uma estrutura própria exclusivamente dedicada ao Smiles, com balanço", afirmou o presidente.

Entre abril e maio de 2013, a possível abertura de capital (IPO) da companhia deverá ser debatida no conselho da empresa. Caso seja aprovada, o IPO deverá ser realizado no segundo semestre de 2013.