Valéria Maniero
O Globo
Os números do IBGE comprovam que o ano de 2012 foi mesmo difícil para a indústria. Só não foi pior que o de 2009, quando o setor encolheu 7,4%, por causa da crise internacional. No ano passado, a produção industrial recuou 2,7%. Nem dá para atribuir essa queda ao desempenho ruim de um ou outro setor, porque ela foi generalizada. O governo deu incentivos a alguns segmentos, desonerou a folha de pagamento, mas a indústria terminou no vermelho, como se previa.
Chama a atenção nos dados divulgados hoje pelo IBGE o resultado ruim da produção de bens de capital -retração de 11,8% em 2012. É uma má notícia e preocupa porque se trata de um indicador que mostra o ritmo dos investimentos.
Com a economia mais fraca - em 2012, deve ter crescido aproximadamente 1%, empresários do setor deixaram projetos de investimento na gaveta, à espera de que a situação melhore. O emprego se mantém em níveis historicamente baixos, como já falamos aqui, mas mais por causa do setor de serviços do que da indústria.
A nota do IBGE resume bem o que foi o ano de 2012 para a indústria:
- Todas as categorias de uso, 17 dos 27 ramos, 50 dos 76 subsetores e 59,5% dos 755 produtos investigados assinalaram queda na produção. Entre as atividades, a de veículos automotores (-13,5%) exerceu a maior influência negativa na formação do índice geral, pressionada pela redução na produção em aproximadamente 80% dos produtos pesquisados no setor".
No ano passado, a produção de bens de consumo teve queda de 1%, puxada pelo recuo dos bens de consumo duráveis (-3,4%).
Em dezembro, a produção industrial ficou estável em relação ao mês anterior, mas caiu 3,6% na comparação com o mesmo mês de 2011.