domingo, março 10, 2013

Em plena campanha presidencial de 2014, discutem o PIB, o juro e a inflação de 2013. Dona Dilma, franca favorita, repete 2008, diz que “quem governa, tem que governar”.


Helio Fernandes
Tribuna da Imprensa

Pessoalmente ou através do conhecimento, acompanhei quase todas as sucessões da República. É bem verdade que não foram muitas. Na Primeira República, não existia nem campanha nem candidatura, prevaleciam as imposições. Depois, 36 anos de ditadura, 15 de 1930 a 1945, 21 de 1964 a 1985.

Dois modelos de autoritarismo. Inicialmente o modelo clássico, apenas um personagem acumulando todos os Poderes, cercado de servos, submissos e subservientes. Depois a mesma incompetência, com outro rótulo. Não havia eleição, mas também não era permitida reeleição.

O mesmo personagem solitário, só que de farda, e se mantendo apenas por um período. Em nenhum dos modelos o país avançou, sem considerar que sempre havia um vice, que à vezes assumia, às vezes não era permitido.

Até que chegamos a esse insólito e incrédulo sistema, em que se discute quem vai governar a partir de 2015. Estamos no início de 2013, a eleição será em 2014, mas a posse em 2015. Realmente inacreditável.

Precisam preencher o tempo e o espaço, os jornalistas têm que acompanhá-los, imaginem discutir outra coisa que não seja sucessão presidencial. Só que todos os pretensos, supostos ou prováveis candidatos, fazem questão de acusarem os outros de terem iniciado a corrida espacial, perdão, presidencial.

Essa honra pertence a Dona Dilma e ao senhor Eduardo Campos. Ela confessou a ele, no que chamou de confidência: “Governador, sou candidata à reeleição em 2014, mas isso é confidencial”. Menos para ele, lógico, que candidatíssimo, revelou publicamente o que ouvira.

Atingiram o objetivo: alertar o ex-presidente Lula de que a volta seria recebida com revolta. Lula, que é o personagem mais importante de todos (isso não é elogio, é constatação), entendeu, não mudou de ideia, mas mudou de trajeto.

Está em plena “caravana”, só que ressalta que não é para ele e sim “para o país”. Quando tem oportunidade, lembra a reeleição de Dona Dilma, sabe que tudo o que está sendo tratado ou discutido agora, não é definitivo. Tem certeza de que, se houver algum problema para Dona Dilma, entra em campo e resolve.

Mas sabe que não está enganando ninguém. Pode entrar em campo representando um poste (Dona Dilma) ou a seleção de 2014 (ele mesmo). Tranquilo, absoluto, intocável, Lula não discute a própria importância, sem ele a sucessão presidencial não tem a menor graça.

PIBINHO, PIBÃO, JUROS, INFLAÇÃO, CÂMBIO
Com têm que fingir desprendimento e preocupação, tratam desses assuntos, aleatórios. O pibinho de 2012 foi desmoralizado pelo excesso de confiança do ministro e de desconfiança do Banco Central. Para colocar em pauta o pibão de 2013, Dona Dilma se lembra do que falou em 2008, e repete: “Um espirro lá de fora não provocará uma pneumonia aqui dentro”.

Cada vez engordando mais fisicamente, Dona Dilma pode se considerar desconfortável diante do espelho. Mas o conforto e a satisfação não surgem do espelho e sim da realidade: ela engorda eleitoralmente de forma mais suntuosa, garantindo o futuro. Os adversários (?) tentam desviá-la da trajetória eleitoral, ela é rigorosamente inarredável.

Todos, Dona Dilma e os outros, sabem que “a nova classe média de 1.543 reais” (a já famosa Classe C) não se interessa por PIB, Taxa Selic, câmbio, quer é consumir, encher lojas, supermercados, movimentar o comércio. Isso é sustentável?

É claro que não, é preciso investimento para haver desenvolvimento e sustentabilidade de salários e, consequentemente, de consumo. E a indústria? Estagnou de vez, não sai do lugar. Comércio e indústria são importantes e indispensáveis, se completam. Como só o comércio cresce e é procurado, e a indústria precisa de incentivo, os preços sobem, não demora o consumo vai parar, o salário é devorado.

Principalmente porque uma parte desse consumo entra na estatística com os 70 reais e o resto das bolsas, que têm vários nomes e até sobrenomes. Mas nada atinge Dona Dilma. Assim como o povão não se interessa por siglas, enigmáticas, também não ouve os discursos de Dona Dilma, medíocres e cada vez mais irrelevantes.

PS – Estrutura, infraestrutura, aeroportos, rodovias, portos, nada disso tira o sono de Dona Dilma e dos delfins do seu governo. O PAC não recebe os investimentos comprometidos? Nenhuma importância ou desgaste para ela.

PS2 – Uma grande vitória no currículo ou na biografia de Dona Dilma: os impostos alcançaram o recorde de mais de 36 por cento de tudo o que se produz no Brasil, Que maravilha viver.

PS3 – Avaliando e analisando pelos fatos convencionais, Dona Dilma tem mais 4 anos garantidos. Começando em janeiro de 2015.

INJÚRIA: O FILHO DE EIKE BATISTA DIRIGIA A 60 KM, FALAM EM 135 KM
Carolina Heringer, Paolla Serra e Sergio Ramalho fizeram matéria altamente jornalística, publicada em O Globo. Desvendaram o que está acontecendo no caso do jovem Thor, que atropelou e matou um homem. Contam em detalhes e minúcias o que acontece nos bastidores da Justiça, na tentativa de inocentá-lo e condenar o perito.

Ouviram respeitáveis juízes, desembargadores, promotores, advogados, peritos. Opinião quase geral: “Não me lembro de nada igual. Talvez seja inédito. O laudo poderia ser desconsiderado, mas não desprezado”. O perito, que além do mais é professor da UERJ, jamais passou por isso, afirma: “Estranho meu afastamento”. Tem que estranhar mesmo. A não ser que consulte a geografia bancária e financeira de Eike, vai entender.

PS – O que não está na matéria, mas circula nos corredores da Rádio Justiça: “Assim que o filho for absolvido e o processo arquivado, Eike vai processar o perito.

PS2 – Com documento de garantia da Mercedes, provará que esse “carrinho” não chega a 135 km, nem “pisando fundo”