O Estado de S.Paulo
A indústria brasileira perdeu margem de lucro, entre 2011 e 2012, pois os custos industriais subiram 6,3% e os preços domésticos dos manufaturados cresceram 4,9%, segundo a pesquisa Indicador de Custos Industriais, da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ou seja, o setor secundário operou em regime de severo aperto, algo já evidente pela recessão que afetou a indústria no ano passado.
Entre 2011 e 2012, o custo do capital de giro caiu 24,8% e foi o item mais positivo para o setor industrial. Ou seja, a política de redução da taxa básica de juros surtiu algum efeito - evitando, provavelmente, um agravamento de problemas, como o do aumento das insolvências. Mas trata-se de um item específico.
O custo de produção, que inclui pessoal, bens intermediários e energia, aumentou 8,3% em 2012, muito acima da inflação oficial (o IPCA subiu 5,84%). Só o custo com pessoal avançou 10,8% - depois de ter crescido 10%, em 2011, quase o dobro dos 5,7% registrados em 2010. Dada a escassez de mão de obra qualificada, as indústrias preferiram manter o pessoal contratado, preparando-se para a retomada de atividades, de fato ocorrida em janeiro.
O custo dos bens intermediários importados, como matérias-primas, aumentou 15,3%, uma decorrência da desvalorização do real. Ainda assim, como os preços em reais dos manufaturados importados subiram 16,9% - e os importados do mercado norte-americano, 19,2% -, os técnicos da CNI consideraram que houve um ganho significativo de competitividade para a indústria local.
O custo tributário aumentou 5,6%, um pouco menos do que a inflação. Mas o dado não está decomposto por setor. A desoneração da folha de salários de alguns setores repercutiu nos índices, tornando mais desigual a situação das empresas. Só as desoneradas ficaram mais competitivas.
Mais do que a recuperação da indústria, em janeiro, a questão-chave é a competitividade, que depende dos custos industriais. A redução desses custos permitiria que o ajuste dos setores menos competitivos fosse concluído num prazo compatível com a sua dimensão.
Além do mais, a indústria brasileira precisa recuperar lucros, para gerar recursos de investimento e atrair investidores internos e externos. Além de cortar juros, é preciso cortar bem mais o custo Brasil - com infraestrutura precária, burocracia pesada, custo excessivo para administrar os tributos, discriminação entre setores. O Estado tem de trabalhar muito para reduzir os custos de produzir.