quinta-feira, março 14, 2013

Marta Suplicy volta atrás e diz que vale-cultura não poderá ser gasto com TV por assinatura


Marcia Abos       
O Globo

Ministra da Cultura fez a declaração na abertura do "The forum for global change", em São Paulo

Adriano Lima / Divulgação
Marta Suplicy fala no evento "The forum for global change", em São Paulo 

SÃO PAULO - A Ministra da Cultura, Marta Suplicy, mudou de ideia e anunciou na tarde desta terça-feira em discurso em São Paulo que o vale-cultura não poderá ser usado para pagar TV por assinatura. Há quinze dias, em entrevista exclusiva ao GLOBO, a ministra havia dito que o benefício mensal de R$ 50 poderia ser gasto com mensalidades de pacotes de TV paga. Marta reconheceu que a repercussão a levou a repensar e a alterar sua decisão. 

— Foram fundamentais os encontros que tive nos fóruns de cultura em Porto Alegre e Belo Horizonte, com mais de 500 pessoas. Eu sou uma pessoa que escuta. Eu coloquei argumentos a favor. E ouvi também os contra. Eu fui pesando, pesando. Não sabemos o que o povo vai querer ver, mas precisamos dar chance para as pessoas experimentarem. Então nós vamos focar no teatro, na música, no livro — declarou a ministra, que fez na tarde desta terça-feira o discurso de abertura do "The forum for global change" na capital paulista.

A mudança foi elogiada pelo secretário municipal de Cultura do Rio, Sérgio Sá Leitão, que escreveu em sua conta no Twitter: “Consta que a ministra Marta Suplicy tomou a sábia decisão de excluir os serviços de TV paga do vale-cultura. Ponto para a cultura brasileira.”

Lei Rouanet com distribuição desigual
A ministra falou também sobre a reforma da Lei Rouanet, que permite, por meio da renúncia fiscal, que empresas que investem em cultura paguem menos imposto. Em seu discurso, Marta disse que seu ministério está voltado à inclusão social. No entanto, a Lei Rouanet beneficia mais produções do Sudeste e do Sul, em detrimento ao Norte e Nordeste do país.

— Temos a Lei Rouanet, que no nosso ministério representa um grande aporte de investimentos em cultura por meio de renúncia fiscal. Quando vimos a Lei Rouanet, percebemos que havia uma distorção de recursos de cultura nos estados do Norte e do Nordeste, em comparação aos do Sul e Sudeste. Quase não há propostas para criadores negros. Pensando nisso, fizemos o edital para produtores negros. Esse é um ministério voltado à inclusão social.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
É impressionante a presença desta senhora no Ministério da Cultura. O que não faltam nas tevês por assinatura são canais culturais, inclusive dedicados inteiramente à cultura brasileira. Resta saber se as "revistinhas de quinta categoria" continuarão liberadas para serem adquiridas com o tal vale-cultura!!! É absurdo.