O Globo
Especialistas, no entanto, preveem impacto positivo sobre a inflação
Fabio Rossi / Agência O Globo
Ministro Guido Mantega anunciou incentivos para baratear o álcool combustível.
No Rio, preço deve cair 5% se for repassado ao consumidor
RIO - Um dia depois de o governo lançar um pacote de estímulo de R$ 8,4 bilhões para os setores de química e etanol, com desonerações e crédito subsidiado, revendedores avaliam que os usineiros devem reter os ganhos da redução de R$ 0,12/litro de álcool prevista a partir do dia 1º.
Economistas ouvidos pelo GLOBO afirmam, no entanto, que as medidas anunciadas pelo governo podem ter impacto de até 0,05 ponto percentual na inflação se houver repasse.O impacto positivo seria resultado, principalmente, da menor pressão sobre a Petrobras.
Com as desonerações, Alessandra Ribeiro, da LCA Consultores, alterou sua projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 0,4% para 0,35% em maio. Os incentivos dados pelo governo permitem que a petroleira reduza gastos com importação de combustível e alivie a pressão por novos aumentos de preço.
Além das desonerações do etanol, está previsto o aumento do percentual de mistura do álcool anidro na gasolina de 20% para 25% a partir de maio. Em fevereiro, a gasolina foi uma das vilãs da inflação. O combustível subiu 4,10% no mês após o reajuste de 6,6% do produto nas refinarias anunciado pela estatal em janeiro.
Para Paulo Miranda, presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis (Fecombustíveis), os usineiros devem segurar, ao menos num primeiro momento, o repasse para o preço final do combustível. Segundo o executivo, dirigentes do setor de álcool afirmam que os recursos devem ser usados para investimentos.
— Dificilmente alguma usina dará desconto. Muitas usinas estão em situação financeira difícil. Ouvi de empresários que esses recursos seriam usados para aumentar a área plantada e investir em canaviais — destacou.
Mesmo assim, ele destaca que já nos próximos meses os preços do álcool devem cair como resultado do aumento da oferta após o início da safra. Segundo Miranda, enquanto não houver redução de preço, o produto continuará sem condições de competir com a gasolina. Nos cálculos da Fecombustíveis, atualmente só vale a pena usar álcool no lugar da gasolina em Goiás e Mato Grosso.
— Meu preço está diretamente ligado ao da distribuidora. Se baixarem, reduzo os meus — disse.
Segundo técnicos do setor de revenda, se os R$ 0,12 por litro fossem repassados para os consumidores, isso representaria redução de 5% nos preços do álcool hidratado no Rio, queda insuficiente para tornar o álcool mais vantajoso. Para isso o combustível tem que custar até 70% do valor da gasolina.
A Unica, que reúne os produtores de etanol, avalia que a desoneração não é suficiente para garantir a retomada de investimentos, disse o diretor-técnico Antonio de Pádua. Segundo ele, a retomada da cobrança da Cide para a gasolina seria um instrumento mais eficiente
