Eliane Oliveira e Cristiane Bonfanti
O Globo
Presidente do BC garante que governo não tem tolerância com inflação e se preciso tomará medidas para controlá-la
BRASÍLIA - Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado nesta terça-feira, o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, afirmou que a inflação tem se mostrado resistente nos últimos meses, em função da elevação de preços de alimentos in natura e de serviços. Ele destacou que a autoridade monetária está acompanhando a evolução do cenário econômico “para trabalhar a necessidade de adoção de outras medidas de combate à inflação no período à frente”.
- A recuperação da atividade econômica tem se materializado de forma gradual e a perspectiva é de ritmo mais intenso - destacou.
Perguntado pelos senadores sobre a frase dita na semana passada pela presidente Dilma Rousseff, de que ela não concordava com políticas de combate a inflação que causem redução do crescimento econômico, Tombini assegurou que não existe tolerância com a inflação. Ele destacou que o governo e o Banco Central estão unidos em manter a inflação sob controle e que, quando considerar necessário, o BC usará “o instrumento de política monetária para fazer com que essa convergência da inflação se materialize”.
- Em relação à declaração da presidenta, que na semana passada se pronunciou a respeito disso, não há tolerância em relação à inflação. Vamos acompanhar a evolução e definir os próximos passos - disse ele.
Tombini afirmou que, em 2012, a inflação fechou em 5,85% e ficou acima do centro da meta do governo, de 4,5%, devido ao choque dos preços dos alimentos e do repasse da valorização cambial ao longo do ano.
Ele observou que, sempre que os salários crescem acima da produtividade, tem um componente de custo que pode ou não ser repassado para a inflação, o que tem sido levantado nas análises do Banco Central. Tombini afirmou ainda que agentes que tentam repassar aumento de custos para o preço final (dos produtos) vão pensar duas vezes, na medida em que as condições financeiras e monetárias comecem a se ajustar.
- Tem havido uma série de esforços do governo e do Banco Central para reduzir a indexação - disse.
Câmbio é flexível mas BC pode garantir funcionamento do mercado
O presidente do BC reafirmou que o câmbio no Brasil é flexível, está livre para absorver choques, mas que o Banco Central estará sempre pronto para entrar no mercado e fazer com que ele funcione “em suas diversas dimensões, seja no mercado futuro, no à vista, seja nas linhas de financiamento ao comércio”.
- O Banco Central tem capacidade de entrar com garantias devidas para fazer com que esse mercado funcione de forma adequada - disse. - O Banco Central também entrará no mercado para evitar a volatilidade excessiva, quando o câmbio começa a andar por si só, sem relação com a realidade econômica - acrescentou.