Bruno Rosa
O Globo
Para André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, economia vai crescer apenas 0,5% no segundo trimestre
RIO - André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, foi certeiro em sua previsão para o desempenho do PIB no primeiro trimestre e apostou que a economia cresceria 0,6%. Agora, ele acredita que o Brasil vai registrar avanço ainda menor no segundo trimestre: apenas 0,5%. Segundo Perfeito, o consumo das famílias não tem mais capacidade de crescimento e o avanço dos investimentos — que subiram muito no início deste ano, por conta dos bons resultados da safra — não vai se repetir entre abril e junho.
O que o senhor destaca entre os números do PIB neste primeiro trimestre?
O bom resultado da agropecuária no início deste ano ocorreu por conta da safra. Isso impulsionou os investimentos. O destaque ficou por conta dos investimentos em transportes, como caminhões. Por outro lado, o consumo das famílias, que vinha crescendo a uma média trimestral de 1,17% desde 2009, avançou 0,1% neste primeiro trimestre. Ou seja, estacionou. Não é razoável pensar que o consumo vai continuar crescendo de forma indefinida. As famílias já fizeram sua parte e estão endividadas. Esse resultado não é catastrófico.
Qual é, então, a expectativa para o segundo trimestre?
Para o segundo trimestre, espero uma alta de 0,5%. Para o ano de 2013, o avanço esperado é de 2,1%. O setor externo vai continuar ruim e as famílias não vão conseguir elevar mais seu consumo. Os investimentos não vão conseguir continuar subindo na mesma velocidade desse primeiro trimestre, que foi influenciado pela safra. Assim, o segundo trimestre terá uma base alta de comparação em relação aos primeiros três meses deste ano.
O governo vem tentando estimular os investimentos. Isso não é suficiente?
Não adianta lançar mais pacotes. A indústria precisa de serenidade da autoridade monetária. É preciso um cenário mais estável. Sem o consumo das famílias, o que importa é o crescimento dos investimentos. A indústria passa por um momento de transição de um cenário de juros altos para juros baixos. E isso paralisou o empresariado, pois ele viu suas margens caírem, com mais dinheiro na economia (por conta dos juros menores) e os salários elevados.
Com isso, qual é a expectativa em torno da decisão da Selic?
Visto este cenário, o Copom deve elevar a Selic em 0,25 ponto percentual (o Comitê de Política Monetária anuncia hoje sua decisão sobre a taxa básica de juros, atualmente em 7,5% ao ano). Hoje, o Brasil está no caminho inverso do mundo. Os outros países vêm reduzindo seus juros e valorizando suas moedas frente ao dólar. No Brasil, estamos elevando os juros e o dólar está ganhando força.
