quarta-feira, junho 19, 2013

Dilma: as vozes das ruas precisam ser ouvidas

Josias de Souza

O assunto era a proposta do governo para regulamentar o setor da mineração. Mas Dilma Rousseff injetou no discurso o assunto do momento: o barulho das ruas. Para ela, o Brasil acordou “mais forte” nesta terça-feira (18). Por quê? “A grandeza das manifestações de ontem comprovam a energia da nossa democracia. A força da voz da rua e o civismo da nossa população.”

“Essas vozes das ruas precisam ser ouvidas”, disse Dilma. Ela acha que seu governo já “está ouvindo as vozes pela mudança”. Gostou dos dizeres de um cartaz. Abriu aspas: “Desculpe o transtorno, estamos mudando o país.” E emendou: “Meu governo está empenhado e comprometido com a transformação social.”

Dilma animou-se a traduzir “a mensagem direta das ruas”. Para ela, o asfalto ronca “por mais cidadania, por mais escolas, melhores hospitais, direito de participação, […] melhorias no transporte a preço justo e o direito de influir nas decisões de todos os governos.” O meio-fio também expressa o “repúdio à corrupção e ao uso indevido de dinheiro público.”

Dilma acha que o governo dela não é parte do problema. Aliás, ela acredita que os humores da sociedade mudam graças ao governo. “Mudam quando nós mudamos também o Brasil. Porque incluímos, porque elevamos a renda, porque ampliamos o acesso ao emprego, porque demos acesso a mais pessoas à educação, surgiram cidadãos que querem mais e que têm direito a mais.”

“Todos nós estamos diante de enormes desafios”, Dilma declarou a certa altura. “As vozes das ruas querem mais. Mais cidadania, mais saúde, mais educação, mais transporte, mais oportunidades.” A presidente disse que seu governo também quer. E prometeu entregar: “Eu quero aqui garantir a vocês que meu governo também quer mais e que nós vamos conseguir mais para o nosso país e nosso povo.”

Como se vê, Dilma reagiu muito bem aos protestos. Recebeu a voz das ruas como uma espécie de rainha do Cosmos. Assegura que seu governo não tardará a melhorar o giro das galaxias.