sábado, junho 29, 2013

Nada muda, nada muda...

Pedro Luiz Rodrigues

Se o Ministro Guido Mântega, condutor da política de baixo crescimento que tem sido a marca, até este ponto,  do governo da Presidente Dilma Rousseff, pensou que sua ida ontem ao Congresso ia ser um passeio, enganou-se redondamente.

Percebeu, logo ao chegar, que o espírito das manifestações de rua já tomou a alma dos parlamentares, tanto da oposição quanto, alguns, de partidos que integram a base do governo.  Uma coisa ficou clara: ninguém mais está a fim de ouvir balelas.

Parece não ter clara, Sua Excelência, a percepção de  que por trás da intensa insatisfação da sociedade  - insatisfação forte, como atesta o abrupto declínio de popularidade da Presidente Dilma- estão não só os titubeantes resultados econômicos dos últimos dois anos e meio, mas, também e principalmente, a perda de credibilidade do governo, para a qual o Ministro terá sido, temo,o principal contribuinte.

Ontem, em apresentação na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, cheguei a ficar com pena do Ministro. As pessoas fazem bahh! ou  ficam desrespeitosamente com risinhos quando ele assegura que agora o Brasil está às vésperas de um crescimento vigoroso e sustentado, e que só é preciso mais um pouco de paciência.

A verdade é que estamos diante de um grave caso de perda de credibilidade. É que há dois anos e meio vem  a autoridade em tela repetindo a mesma coisa, chegando mesmo a brigar com os fatos e com as pessoas que os buscam interpretá~los.

Mas, felizmente para o Brasil, o IBGE não é o Indec argentino (onde as estatísticas seguem as instruções da Presidente Cristina Kirchner) e os dados divulgados a cada mês e a cada trimestre são confiáveis. E eles mostram que, infelizmente, não continuamos lá  não muito bem das pernas.

Ninguém espera que ministros da fazenda sejam santos milagreiros, pois afinal há contingências externas na economia sobre as quais não temos possibilidade de interferir. O que se espera desses ministros, além da obvia capacidade técnica, é comedimento verbal e responsabilidade com o que diz. Em outras palavras, deve ter, sempre, credibilidade. Pois é da credibilidade que deriva a confiança que é função do governo transmitir à sociedade, mesmo para a travessia  de momentos difíceis.

Renovo, portanto, o apelo que já fiz nesta coluna, de que assessores do Ministro busquem conversar com ele sobre essa questão.

Entre outros pontos, cabe lembrar-lhe que o governo do PT já completou dez anos de poder. Acho que já está ficando um pouco ridículo continuar na lenga-lenga - usada e abusada no governo Lula -, sobre a má qualidade da herança econômica deixada pelo governo do Presidente FHC.

O Lula, charmoso do jeito que é, podia dizer qualquer coisa, que todos aplaudiam satisfeitos,sem cobrar-lhe coerência.. Ele criticava de um lado, mas não se afastava um milímetro do tripé herdado de meta de inflação, câmbio flutuante e solidez fiscal.

Inflação, náo é? O primeiro dos itens, este é perigoso, Sr. Ministro.  Brincaram com esse o dragão e a população, o quef? Foi para as ruas vociferar contra o governo, como está indo agora.

Assegurou o Ministro que inflação de alimentos foi debelada.

Se o Ministro quiser ir comigo, convido-o a dar uma volta nos supermercados de Brasília. Ontem mesmo, num deles, fiquei boquiaberto: a farinha de mandioca não torrada de melhor qualidade custando QUINZE reais! Tomate beirano os sete!

Portanto, como os ânimos das ruas exaltam-se às vezes por pequenas coisas, talvez fosse o caso de o Ministro,  voltar atrás. Pois, ontem, depois de dizer que houve recuo do IPCA e que a inflação dos alimentos foi debelada, convidou as donas-de-casa “ a verificar isso no supermercado, pois tem gente maximizando essa questão”.

A cada vez que vão aos supermercados, as donas de casa pensam é em se juntar com seus filhos e engrossar as manifestações de rua.