Laryssa Borges
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Pressionado pelas manifestações que se espalharam pelo país, deputados e senadores tremeram e aprovaram a toque de caixa projetos que vão do populismo à ineficácia
(Givaldo Barbosa/Agência O Globo)
Brasília - Manifestantes se reúnem em frente ao Congresso,
para protestar contra o aumento das passagens do transporte público
A aprovação em ritmo frenético da "agenda positiva" do Congresso Nacional para responder aos protestos que se espalharam pelo país põe em evidência, por contraste, a letargia histórica da Câmara e do Senado. Acuados, deputados e senadores aprovaram a toque de caixa propostas que estavam adormecidas há anos no Legislativo. Foram oito matérias relevantes aprovadas em plenário e comissões importantes em dois dias.
No balaio há iniciativas positivas, como o fim do voto secreto para a cassação de mandatos de parlamentares, proposta enterrada sucessivas vezes nos últimos anos. Há também medidas populistas – exemplo: tornar a corrupção um crime hediondo, como se o problema fosse a tipificação do crime e não a impunidade –, e inúteis, como a inclusão do transporte público no rol de “direitos sociais” da Constituição.
A rejeição maciça à PEC 37, que tirava do Ministério Público o poder de conduzir investigações criminais, foi curiosa. Antes das manifestações, promotores e parlamentares contrários à PEC davam como perdida a batalha por sua derrubada. Quando foi apresentada, em 2011, ela tinha o aval de 207 deputados. Na última terça, 430 a rejeitaram e só nove registraram voto a favor dela (dois disseram depois ter errado na hora de votar).
O calendário eleitoral ajuda a explicar a celeridade na votação de projetos que atendem às reivindicações de cartazes nas ruas. No próximo ano, 513 deputados e 27 senadores – um terço da Casa – terão de renovar seus mandatos. "O Congresso está assustado, tentando recuperar o tempo perdido. Ou age com eficiência e celeridade ou será atropelado pelas urnas. O eleitor pode mandar para casa os lentos e tentar mudar. Os parlamentares são transitórios, substituíveis", afirmou o senador Alvaro Dias (PSDB-PR).
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Observem os dizeres do cartaz na foto abaixo.
Muito bem. A gente sabe que nossos congressistas são, de fato, em sua maioria, a própria representação do que existe de pior no país. Acho ser tal visão quase consensual, diria até uma unanimidade.
Pergunta simples: quem o escolheu?
Pois é, pode até parecer doloroso demais, sincero demais, mas a verdade é que este congresso que é “a vergonha do Brasil”, foi eleito e escolhido pelo povo brasileiro. Nenhum deles chegou de graça à Casa do Povo. Foi o resultado das urnas que deu a ele a conformação que ele tem. Portanto, se é fácil ir às ruas reclamar da atuação destes parlamentares, afinal trata-se de um direito, seria ainda mais fácil que os eleitores brasileiros fizessem uma profunda reflexão sobre suas escolhas.
E reparem: a grande maioria de deputados federais e senadores está na política há 2, 3 ou mais legislaturas, mandatos que vão se renovando no tempo por obra, graça, vontade e escolha dos... brasileiros.
Portanto, se é um direito reclamar e cobrar deles a ação que deles se espera, também é um dever fazermos nossas escolhas com correção e critérios. Porque, se este congresso é uma vergonha, nosso voto nele foi o que, afinal? Mais uma perguntinha simples: alguém aí lembra em quem votou na última eleição?

