Maria Helena RR de Sousa
Brickmann & Associados Comunicação
...a sagrada decoreba, que de tanto ser demonizada, acabou sumindo das escolas por ter se transformado na demonizada decoreba. Pois quero ver aprender a tabuada e a conjugar verbos sem decoreba e sem recitar o que se decorou em voz alta e muitas vezes! Hoje, sem calculadora, ninguém faz a feira...
"É ingênuo achar que o estudante descobrirá tudo por si mesmo e ao seu ritmo. Quem de bom senso tem dúvida de que, se a criança puder esperar a hora que bem lhe apetecer para mergulhar no assunto, talvez isso nunca aconteça?"
Sabem quem disse isso? Pois foi o ministro da Educação de Portugal, o matemático Nuno Crato, para a entrevista publicada nas páginas amarelas da VEJA desta semana.
Nuno Crato é contra, como não podia deixar de ser, sendo o homem inteligente que toda a sua entrevista demonstra, a marcha à ré que deram na Educação.
Ao condenar as provas, a disciplina, a saudosa "decoreba", os modernos acabaram com a escola que ensinava. A pá de cal veio com o politicamente correto que faz do professor apenas um "facilitador" do aprendizado.
Fiquei mesmo entusiasmada com essa entrevista. O ministro é a favor de uma das minhas mais entusiasmadas opiniões sobre Educação: a sagrada decoreba, que de tanto ser demonizada, acabou sumindo das escolas por ter se transformado na demonizada decoreba.
Pois quero ver aprender a tabuada e a conjugar verbos sem decoreba e sem recitar o que se decorou em voz alta e muitas vezes!
Hoje, sem calculadora, ninguém faz a feira. E deve ser pela morte da conjugação verbal em voz alta que os mais jovens se atrapalham tanto com os verbos.
"Sem dominar a aritmética não dá para passar à trigonometria". Ora viva! E querem que as crianças aprendam a aritmética por osmose, como ele diz a certa altura.
O ministro é contra a tendência vencedora nos últimos anos de que não é necessário conhecer datas históricas nem acidentes geográficos. Esperar que a criança goste de História ou Geografia antes de saber o que é isso, francamente, é piada.
A Escola existe para ensinar. Não é um depósito de meninos e meninas enquanto os pais trabalham. É um local que deveria ser sagrado, o espaço mais importante de uma comunidade. Já foi assim, sabem? E os professores eram respeitados.
Ficávamos em pé quando eles entravam ou saiam da sala!
Tem muito mais nessa entrevista para nos fazer pensar. Muito mais. E cada resposta dada pelo entrevistado é uma aula. Mas a que eu mais gostei é a que se refere à Leitura. Nada de esperar que a criança venha a gostar de ler. Temos que insistir para que ela leia, mesmo sem gostar. Podemos ter certeza que de tanto ler, ela vai acabar se apaixonando pelos livros!
Ah! se Deus se lembrasse de nós e nos enviasse o Nuno Crato para cá...