sábado, julho 27, 2013

Caixa-preta confirma que trem estava a 190 km/h em Santiago de Compostela

O Globo 
Com Agências Internacionais 

Composição seguia a 200 km/h em uma reta anterior e, por alguma razão, não diminuiu significantemente a velocidade
Galícia não conta com sistema de freio automático de trens

MIGUEL VIDAL / REUTERS 
Trabalhadores inspecionam trilhos no local do acidente de Santiago de Compostela

MADRI - Conversas recuperadas da caixa-preta do trem que descarrilou matando ao menos 80 pessoas em Santiago de Compostela confirmam que a composição seguia a 190 km/h no momento do acidente, mais do dobro do limite de velocidade do trecho, de 80 km/h. Segundo o “La Voz de Galícia”, o trem estava a 200 km/h em uma reta anterior, o que era permitido. No entanto, por alguma razão, na chegada da curva a velocidade foi reduzida para apenas 190 km/h, fazendo com que o transporte saísse dos trilhos. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento do acidente.

De acordo com fontes, citadas pelo jornal, técnicos da companhia que administra a rede ferroviária do país, a Renfe, apontam que o mais provável seja que o acidente tenha sido causado por erro humano. O mais provável, de acordo com os especialistas, é o maquinista não tenha se confundido e pensado que seu trajeto seguiria em linha reta, mas havia uma curva. Por isso, não teria prestado a atenção ao limite de velocidade.

No entanto, um erro de infraestrutura pode também ter colaborado com a tragédia. De acordo com o diário, a Galícia não conta com o sistema de segurança ERTMS, que permite frear o trem de forma automática em zonas de velocidade limitada. Se houve o sistema, a composição não poderia seguir a 1909 km/h nem de o condutor quisesse.


Internado no Hospital Clínico de Santiago, o maquinista Francisco José Garzón Amo foi indiciado e deve prestar depoimento a autoridades amanhã. Ele permanecerá sob custódia da polícia judicial local até deixar o centro médico.

Garzón, de 52 anos, operava na linha há mais de um ano e era funcionário da Renfe há mais de 30. Ele tinha todas as habilitações corretas e nunca tinha passado por um incidente, segundo a companhia.

- Ele operava nessa linha praticamente desde a inauguração dos trens híbridos, o modelo 730, que entrou em funcionamento em junho de 2012. Portanto, estava há mais de um ano operando na mesma linha - contou o presidente da Renfe, Julio Gómez-Pomar Rodríguez, ao “El Mundo”.

Antes que o perfil de Garzón fosse apagado do Facebook nesta madrugada, foi possível ver uma imagem publicada em março de 2012 pelo próprio maquinista, que mostra um velocímetro com a marca de 200 km/h, sem especificar se ele atingiu essa velocidade em um trecho permitido.

Nos comentários do post, Garzón brinca que a Renfe levaria multas. De acordo com o “El País”, o teste de álcool do motorista, feito após o acidente, deu negativo.

“Como seria engraçado ultrapassar a guarda civil e ser pego pelo radar. hehe. Multa para a Renfe”, escreveu no Facebook.

O acidente nesta quarta-feira, a pior tragédia de trem desde 1944 no país, deixou ao menos 80 mortos - entre eles um bebê de dois anos - e 168 feridos. Dos 80, 60 foram identificados. A lista oficial com o nome dos mortos será divulgada às 22h (17h no horário de Brasília).