Míriam Leitão
O Globo
Depois de um longo silêncio, o empresário Eike Batista publicou artigo no jornal "O Globo" e no "Valor" em tamanho maior do que o usual. Depois de lembrar que começou "se aventurando" no garimpo para fazer fortuna, ele enfrenta as críticas e o péssimo momento que vive com argumentos, nem sempre convincentes.
Ele separou as empresas X para começar falando da mais problemática, a OGX, empresa de petróleo. Depois falou da (OSX, de estaleiro; MPX, de energia; MMX, mineração e LLX, logística). A primeira dependia das encomendas da OGX; em relação às outras, ele diz que têm ativos importantes e estão sub avaliadas pelo mercado.
A ideia principal da defesa em relação à OGX é a de que ele foi enganado. Diz que levou gente que entendia muito de petróleo, submeteu as empresas às avaliações de empresas internacionais especializadas e foi convencido de que havia realmente um enorme potencial nos campos de petróleo que arrematou. "Meu corpo técnico me reafirmava, dia após dia, a mesma coisa".
No texto, ele sustenta: "Estava extasiado com as informações que me chegavam. Podia tê-las guardado para mim? Não, eu era o controlador de uma companhia de capital aberto e o que fiz foi compartilhar todo aquele esplendor e respectivos desafios com o mercado".
Curioso que uma pessoa como ele argumente isso, porque exibe uma ingenuidade que não é concebível.
Nesse mundo do petróleo, não é a convicção pessoal que define possibilidades de petróleo, mas a pesquisa sísmica. E ele admite que saiu falando, antes de ter certeza, porque o corpo técnico da empresa dizia que havia muito petróleo lá. Eike chegou a falar em capacidade de produção de 50 mil barris/dia, depois caiu para 20 mil. Recentemente, disse que terá que fechar os poços porque eles não têm capacidade técnica de produzir. Enfim, foi de um extremo ao outro. Estranho para quem tem tanta experiência. Tudo isso fez o investidor, que via toda aquela exuberância dita pelo próprio controlador, sair comprando ações.
Eike fala também que poderia ter vendido a empresa, que recusou propostas de 30 bilhões de dólares ou até feito uma venda programada que lhe renderia 5 bilhões de dólares. Esses valores para uma empresa que, no fim das contas não tinha ativos que justificassem, mostram que ela estava excessivamente valorizada.
Ele afirma que se arrepende de ter aberto o capital das empresas muito cedo. Diz que elas deveriam ter se consolidado primeiro antes de entrar no mercado de ações.
Eike é muito generoso ao avaliar os próprios erros. Acho que faltou mais sinceridade. Ele sabe que errou mais do que admitiu ali. No final do artigo, para encerrar, fala que não está morto como empresário ("Meu obituário empresarial tem ocupado as páginas de blogs, jornais e revistas. Só posso dizer que me vejo muito longe deste Eike aposentado"). Diz, então, que tem 57 anos, que vai arregaçar as mangas e voltar a trabalhar. Tomara que se recupere mesmo. E tenha aprendido com esse mau momento.
O "Valor" mostra que ele está pedindo o adiamento do pagamento de um empréstimo, de mais R$ 400 milhões, do BNDES, que vencerá dia 15 de agosto. E provavelmente pedirá também novo adiamento de outro, de R$ 500 milhões, que vence em setembro. O BNDES emprestou R$ 10 bi, mas nem tudo foi liberado.
No texto, ele diz que não deixará de pagar um único centavo de cada dívida. Nós esperamos que ele pague mesmo até o último centavo até porque o grande credor é o banco sustentado por nosso dinheiro e nossos impostos.