terça-feira, agosto 06, 2013

Mercosul apresenta queixa na ONU sobre espionagem americana

Isabel De Luca 
O Globo

Chanceleres questionam ainda fechamento do espaço aéreo europeu para Evo Morales
Segundo Patriota, grupo estuda propor sanções contra países culpados de espionagem

TIMOTHY CLARY / AFP  
Secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon (terceiro à esq.), se reúne com o 
ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota (segundo à dir.), 
e outros chanceleres do Mercosul 

NOVA YORK - Os ministros de Relações Exteriores do Mercosul apresentaram nesta segunda-feira, ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, uma queixa contra a espionagem praticada pelos EUA e revelada pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden.

Os chanceleres Antônio Patriota (Brasil), Héctor Timerman (Argentina), Luis Almagro (Uruguai) e Elías Jaua (Venezuela) questionaram ainda o fechamento do espaço aéreo de países europeus ao avião do presidente boliviano, Evo Morales, no mês passado, quando se suspeitou que ele estivesse dando uma carona a Snowden após uma visita à Rússia.

- Viemos em bloco expor nossa preocupação com as acusações de prática de espionagem que vieram com as revelações de Snowden, o que tem implicações graves para a região e o mundo. É um alerta que estamos dando. Ban Ki-moon disse que compartilha da nossa preocupação - contou Patriota.

Segundo Patriota, o secretário-geral da ONU foi receptivo à queixa do Mercosul e disse concordar com as críticas à espionagem praticada pelos EUA. Amanhã haverá um debate no Conselho de Segurança presidido pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e será também uma ocasião para os ministros manifestarem a preocupação, informou o chanceler brasileiro.

O chanceler afirmou agora que o Mercosul estuda propor, no âmbito da Assembleia Geral da ONU, sanções contra países culpados de espionagem. Essa iniciativa, porém, teria de passar pelo crivo do Conselho de Segurança, onde os EUA têm poder de veto.

As revelações de Snowden geraram mal-estar com aliados europeus de Washington e descontentamento na América Latina, depois que o GLOBO revelou que países da região também eram alvos da espionagem americana