terça-feira, novembro 12, 2013

Nova política de preços da Petrobrás, se colar é ótima, mas só para Petrobrás.

Adelson Elias Vasconcellos

Infelizmente não compartilho do mesmo otimismo que Raul Velloso sobre a política de preços da Petrobrás,  quando se projeta uma espécie de gatilho para correção automática dos preços dos combustíveis. E não o acompanho por uma razão: o perigo que representa a volta da indexação para a economia brasileira e, neste sentido,  traríamos de volta todo o desastre econômico vivido pelo Brasil nos anos 80 e metade dos anos 90, do século passado.

De certa forma, nossa economia ainda convive com vários tipos de indexação, seja nos preços públicos, ou até nos salários. A política de salário mínimo firmada por Lula com as centrais sindicais é uma indexação perigosa, mesmo que alguns sustentem a necessidade de se recuperar o poder de compra do mínimo. Só que este poder  se recupera com crescimento econômico. Parte do descontrole fiscal vivido pelo atual governo decorre deste gatilho, e aflige muitos governos estaduais e municipais. 

Estabelecendo-se um gatilho para reajuste dos combustíveis, praticamente toda a cadeia produtiva  vai entrar na dança. Isto é certo, porque os empresários terão duas correções reais que pesam muito em seus custos: combustíveis e salários. E, neste caso, a inflação que circula em torno de 6,0% anuais, rapidamente subirá para a dois dígitos. 

É claro que, de alguma forma, a Petrobrás precisa estancar a sangria de comprar mais caro e vender abaixo do custo. Isto tem criado inúmeras dificuldades para a estatal. Dificuldades que se observa até no caixa, quanto mais nos investimentos. Não é a toa que a estatal tem se desfeito de ativos e fechado seus escritórios comerciais no exterior.  Como será a única operadora do Campo de Libra, onde terá que arcar com 40% de participação do investimento, e a projeção é de R$ 400,o bilhões o montante necessário a ser alocado para a exploração/extração, não é difícil imaginar-se a imensa dificuldade para a Petrobrás fazer frente a estes desafios. Sem contar que ela ainda precisa aumentar sua capacidade interna de refino no sentido de reduzir sua dependência externa. 

Mas este equilíbrio entre compra x venda não pode ser automática. Deve ser calculada sob pena e risco de se desvestir um santo para vestir outro. Nossa economia não pode, sob hipótese alguma, sofrer o retrocesso que representaria indexar novamente os preços aqui dentro. Significaria que todo o sacrifício empreendido pelo Brasil ao longo dos últimos 16 anos para consolidar sua estabilidade, e que lhe permitiu, como consequência direta, recuperar seu imenso déficit social histórico, seria jogado no lixo.

Portanto, se o gatilho automático for imposto ao preço dos combustíveis, o país precisará fazer um enorme esforço para que ele não se esparrame para o restante da economia.  Aliás, duas são as questões que o governo deve dar melhor atenção: uma, evitar a volta da indexação de preços, e outra, não se descuidar do câmbio. E por que me refiro ao câmbio?  Porque acaba se refletindo na dinâmica da indústria brasileira. E isto é consequência do descontrole dos gastos do governo que, pelas políticas em voga de incentivo ao consumo, acaba criando um enorme  desequilíbrio entre oferta e demanda. Isto conduz, inevitavelmente, a elevação de preços que, para combater, obriga o governo a  elevar os juros. Juros mais altos atraem capital externo especulativo. Excesso de entrada de dólares, valoriza em demasia nossa moeda, dificultando exportações e provocando quedas da atividade industrial.  E tudo acaba desabando no déficit da balança comercial.

Assim, nem o gatilho automático tampouco o represamento dos preços como tem sido feito atualmente, ajudam a estatal. O gatilho desarranja a economia por inteiro, o represamento descapitaliza a companhia. 

Portanto, se a política do gatilho automático no preço dos combustíveis é boa para Petrobrás, ela se torna onerosa e ruim para o país.  Correto seria o governo provocar certa retração do consumo, principalmente, maior rigor em seus próprios gastos. Se nada for feito, a deterioração das contas públicas seguirá inexorável ladeira abaixo.   

Dá para acreditar: Receita interrompe operações por falta de dinheiro  
Quando se chega ao ponto da Receita Federal se obrigar interromper várias de suas operações de fiscalização, por falta de dinheiro, é possível aquilatar o tamanho da incompetência do governo Dilma. Chega ser inacreditável.  E esta senhora tem a pretensão de se oferecer ao eleitorado para mais quatro anos de mandato? Serão mais quatro anos, se for reeleita, de mais mediocridade e incompetência. O Brasil só não quebra, não por culpa de seus governantes medíocres, mas por ser um país rico demais. 

Sem dúvida que, até encerrar-se este mandato, a senhora Rousseff colecionará recordes e mais recordes negativos na condução da economia brasileira!  Haja incompetência!!!