terça-feira, janeiro 28, 2014

Oposição da Ucrânia rebate promessas do presidente e insiste em renúncia

O Globo 
Com Agências Internacionais

Yanukovich garantiu que fará mudanças no governo e em leis antiprotestos
Manifestantes suspendem trégua e voltam a lançar coquetéis molotov contra policiais nas ruas de Kiev 

DAVID MDZINARISHVILI / REUTERS 
Manifestantes montam barricada em Kiev 

KIEV - Pressionado pelo avanço das manifestações em Kiev e em outras regiões do país, o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, prometeu nesta sexta-feira que o governo passará por mudanças na semana que vem e que as leis antiprotestos recentemente aprovadas no Parlamento serão emendadas. Mas, a oposição não se mostrou satisfeita com as possíveis concessões: o ex-boxeador Vitali Klitschko, um dos líderes opositores, voltou a dizer que só a renúncia de Yanukovich será suficiente para dissipar a tensão política.

- Há apenas um mês, as pessoas já teriam ido embora da Maidan - disse Klitschko, citando a principal praça de Kiev, onde opositores se reúnem. - Hoje, o povo quer a renúncia do presidente.

Caso concretizados, os anúncios de Yanukovich serão as primeiras concessões de fato à oposição. O presidente não especificou se as mudanças incluiriam a saída do premier ucraniano, Mykola Azarov.

- Eu, como presidente, assinarei um decreto e faremos modificações com o objetivo de encontrar a mais profissional equipe de governo - disse.

Desde quinta-feira, os manifestantes vinham respeitando uma trégua pedida pelas lideranças da oposição nos confrontos com a polícia em Kiev - nos quais pelo menos três participantes de protestos morreram esta semana. No entanto, na noite desta sexta, rojões e coquetéis molotov voltaram a cruzar as barricadas da oposição rumo às fileiras das tropas de choque na capital. Manifestantes também tomaram o prédio do Ministério da Agricultura e ergueram novas barricadas no centro da cidade.

Fora de Kiev, já foram registrados protestos contra o governo em pelo menos 11 cidades ucranianas, a maioria no Oeste do país, mais ligado à Europa. Em todas elas, manifestantes tomaram prédios públicos e fizeram barricadas.

A resistência do governo às pressões da oposição continuam repercutindo negativamente no Ocidente. Os governos de Alemanha e França convocaram os embaixadores ucranianos para transmitir repúdio aos confrontos nas ruas. Por outro lado, o chanceler russo, Serguei Lavrov, cobrou do ministro das Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, que os países da Europa também tenham a “reação apropriada” diante das notícias de danos a prédios públicos causados por manifestantes radicais.

A mobilização popular na Ucrânia teve início em novembro, quando o governo se preparava para assinar um acordo comercial com a UE. No entanto, o governo preferiu assinar um acordo segundo o qual a Rússia comprará US$ 15 milhões em títulos ucranianos e cortará em um terço o preço do gás exportado à ex-república soviética. Sem o pacto com a UE, os opositores passaram a defender a renúncia do governo, a realização de eleições antecipadas e, mais recentemente, a revogação das leis antiprotestos.