Altamiro Silva Júnior
Agência Estado
Agência ainda não tem decisão sobre o assunto, mas afirmou que não vai 'atar suas mãos' por causa das eleições
NOVA YORK - A agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) pode rebaixar o rating soberano do Brasil em um nível este ano, mesmo antes das eleições de outubro, disse o diretor responsável por Ratings Soberanos na S&P, Joydeep Mukherji, nesta terça-feira em uma mesa redonda com jornalistas norte-americanos e estrangeiros na qual o Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado, foi o único veículo de imprensa do Brasil.
"Não vamos atar nossas mãos porque tem uma eleição geral no Brasil e por isso não podemos fazer nada. Há a possibilidade de o rating brasileiro ser rebaixado este ano", disse Mukherji, da S&P. O diretor ressaltou, porém, que não há uma reunião programada dos analistas da S&P para discutir a classificação do Brasil. "Isso acontece o tempo todo. Falamos sempre com o governo e outros agentes. Eles vêm aqui, nós vamos ao Brasil. Falamos ao telefone, revisamos o rating regularmente", disse ele.
A agência Fitch também se manifestou nesta terça-feira, 7, e disse que o rating brasileiro poderá ser mantido em 2014 caso as condições de crescimento e de gestão fiscal fiquem em linha com as previsões da entidade. A Fitch projeta um crescimento de 2,5% do País e de um superávit primário de 2% do PIB neste ano. Na segunda-feira, outra agência de classificação, a Moody's, disse que não deve alterar a nota brasileira, mas alertou para o crescimento da dívida.
S&P: 'Não é um colapso'.
Se ocorrer um rebaixamento seria em um nível e o Brasil continuaria a ser classificado como "grau de investimento", disse o diretor da S&P. "Não é um colapso", afirmou. O rating brasileiro foi colocado pela S&P em perspectiva "negativa" em junho do ano passado. "Naquele momento dissemos que a perspectiva poderia ser por até dois anos, assim, podemos rebaixar antes das eleições ou após", disse Mukherji.
O diretor da S&P ressaltou que não há um fator principal capaz de desencadear o rebaixamento da classificação de risco do Brasil. Mesmo o fraco crescimento do País não seria o motivo principal. "A expansão do PIB pode se reduzir por outras razões. O México teve um baixo crescimento em 2013 e o rating foi elevado em dezembro", disse o analista. Mukherji ressaltou que ao contrário do México, o Brasil tem tido uma deterioração gradual em seu perfil econômico e a S&P tem chamado atenção para certas tendências na política monetária e fiscal, que inclui os repasses do governo para os bancos públicos, além de outros fatores que podem levar a um rebaixamento.
A questão principal, afirmou, para a S&P decidir por um rebaixamento é quais as tendências na política fiscal e monetária e outras variáveis macroeconômicas. "Qual a taxa de crescimento de longo prazo? Qual a relação dívida/PIB o país vai ter no futuro? Não é um número de um trimestre, olhamos o longo prazo, não o dado isolado do próximo trimestre", ressaltou Mukherji.
"Olhamos a direção da política econômica. Se a presidente Dilma Rousseff fizer um leilão bem sucedido de aeroportos, isso é bom, mas não é um fator que vai mudar o rating".
Para saber destas tendências, a S&P tem se reunido constantemente não só com o governo brasileiro, mas também com economistas e outras entidades, como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ressaltou o diretor.