quarta-feira, março 12, 2014

‘Apaguinhos’ cariocas bateram recorde em 2013: 18,4 horas

Marcio Beck 
O Globo

Número foi o maior já registrado na área da Light em 13 anos, desde que os dados começaram a ser contados
Pelo 6º ano seguido, concessionária teve mais ‘apaguinhos’ do que o tolerado pela agência reguladora
  
RIO - Os cariocas ficaram no escuro em 2013 por mais de 18 horas, o maior nível já registrado para a cidade desde que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) começou a contabilizar os dados, em 2000. Pelo sexto ano consecutivo, as interrupções de fornecimento de energia na área da Light, que abrange 3,9 milhões de clientes em 31 municípios, incluindo a capital, a Baixada Fluminense e o Vale do Paraíba, ficaram acima do limite estabelecido pela Aneel.

De acordo com a agência, a Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (DEC), média dos tempos que cada cliente ficou sem energia ao longo de um período, foi de 18,4 horas no ano passado, contra um limite de 9,07 horas.

O índice da concessionária no ano passado foi semelhante ao registrado em 2012, de 18,15 horas – acima do limite de 9,37 horas da Aneel.

A Light também ultrapassou o limite de Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (FEC), indicador que mede a quantidade de vezes que os clientes ficam sem luz: foram 8,31 vezes, contra o limite de 7,01 vezes.

Por causa das interrupções, a empresa teve que pagar aos clientes no ano passado um total de R$ 45,5 milhões, um pouco abaixo dos R$ 47,4 milhões de 2012, mas ainda cerca de 50% acima dos R$ 31,8 milhões registrados em 2011.

As compensações aos clientes foram estabelecidas pela agência reguladora em 2009 e começaram a ser pagas no ano seguinte. As distribuidoras têm até dois meses após a interrupção para pagar a compensação.

'Gatos' e clima ruim influenciaram, diz empresa
A Light argumentou que "a grande quantidade de ligações clandestinas, os 'gatos', principalmente nas áreas de risco, onde os técnicos da empresa não possuem livre acesso" influenciam os resultados" relativos aos índices de interrupção, e que nas demais áreas e nas comunidades pacificadas, os indicadores "são melhores e estão próximos aos padrões estabelecidos pela agência reguladora".

"A Light ressalta ainda que existem também os impactos externos à rede ocasionados pelos fenômenos meteorológicos, tais como chuvas, incluindo granizo, ventos fortes com mais de 100km/h, temporais, raios, calor com sensação térmica de mais de 50º etc., que comprometem a qualidade no fornecimento, danificando estruturas do sistema elétrico e exigindo a realização de um trabalho complexo para restabelecimento da energia", explicou a empresa, por meio de sua assessoria.

A Light também destacou que investiu, em 2013, R$ 225 milhões em ações de combate ao furto de energia e prevê gastar até 2018, outros R$ 2 bilhões neste com atividades desse tipo. No ano passado, foram realizados 120 mil inspeções, 53 mil normalizações e instalações de 100 mil novos medidores. O setor de distribuição recebeu R$ 712,6 milhões (84,3%) dos R$ 845 milhões investidos pela empresa, no total, no ano passado.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
O fenômeno dos apaguinhos, infelizmente, não é exclusividade dos cariocas. O Brasil todo vem sofrendo com certa constância de pequenas interrupções de energia elétrica, a demonstrar a total insegurança do atual sistema. 

Especialistas da área já advertiram diversas vezes que o governo federal já deveria ter iniciado um programa de uso racional da energia elétrica junto a população. E, no fundo, nossas “autoridades” sabem que um governo responsável já deveria ter tomado, há algum tempo, tal iniciativa.

Porém, como o governo da senhora Rousseff não governo, apenas faz campanha visando sua reeleição, o interesse público fica sempre colocado em segundo plano.  

E um alerta: se há firme propósito do governo em impulsionar o crescimento do país, este é um setor estratégico que se deve olhar com carinho. Ao planejarem instalar negócios no país, dentre outros quesitos, a produção de energia é um fator vital para justificar ou não o investimento. E, conforme em uma dúzia de oportunidades já demonstramos (o arquivo do blog está aí para provar) , o modelo implementado por Dilma Rousseff em setembro de 2012, vai na direção oposta, por impor desequilíbrios e insegurança num setor indispensável e que até aquela data, pelo menos, dormia tranquilo. 

E, nesta edição, com as inúmeras matérias aqui reproduzidas, fica claro o quanto a teimosia e a arrogância da presidente prejudicaram tanto o setor elétrico quanto o desenvolvimento do próprio país.