Jorge Oliveira
Diário do Poder
Portugal, Cascais – Depois da ditadura militar, a imprensa brasileira ainda não encontrou identidade própria, mas alguns jornais felizmente estão procurando novos rumos. Outros sequer sobreviveram às novas tecnologias que permitem a informação em tempo real. Os jornais, antes fontes de informações atualizadas, passaram a vender noticias com um dia de atraso. Quem não se reciclou, se atualizou e se modernizou sucumbiu à crise econômica. E os que ficaram formaram-se em grupos empresariais para resistir aos governos mal humorados que culpam a mídia quando caem em desgraça. Esquecem que a imprensa não governa, fiscaliza. Portanto, não pode se acumpliciar com governantes incompetentes e corruptos.
Jornais, antes engajados na ditadura, mudaram de posição tão logo os militares se recolheram aos quarteis. Infelizmente é assim que funciona o mercado, é tudo business. Um deles, O Globo, até fez mea-culpa pelo apoio ao regime. Aliás, empresários e alguns notórios jornalistas, hoje vestais do moralismo político, contribuíram como freelances para o golpe de 1964, financiados por conspiradores militares e civis a soldo dos Estados Unidos.
E assim, aos trancos e barrancos, os jornalistas e os donos de jornais saltam como cangurus e sobrevivem oscilando entre a modernidade tecnológica e as suas posições editoriais. Nos últimos anos, a imprensa fez apostas erradas. Patrocinou o Collor e depois o Lula. O primeiro derrubou tão rápido quanto criou. Essa mesma imprensa que elevou Lula à categoria de líder, agora também desmonta o mito. E o PT vai junto como o partido mais corrupto deste século. Os jornalistas que ainda defendem os petistas o fazem envergonhados e decepcionados com o lamaçal de corrupção. Mantêm-se na defesa do partido à maneira soviética antiga com radicalismo e cegueira política.
O ex-presidente Lula, antes o líder carismático, de conduta ética exemplar, vive hoje sob a critica da mídia a quem culpa de distorcer fatos e até de condenar previamente os mensaleiros que agora ele próprio renega. Quando esteve à frente da Presidência cooptou os principais colunistas, levando-os para o governo. Muitos deles, carimbados depois de petistas, perderam o rumo, a identidade e a independência e hoje estão fora das redações.
Para um governante medíocre, a imprensa só é útil quando é servil e o jornalista lambe botas. O PT orgulhava-se de ter o maior contingente de jornalistas engajados. No final da década de 1980, a Folha de S. Paulo, por exemplo, parecia mais um comitê petista do que propriamente a redação de um jornal que não acreditava em ninguém com mais de trinta anos.
Os meninos daquela época cresceram, o Frias envelheceu e o jornal amadureceu. Assim como a Folha, outros como Globo e O Estado de S. Paulo vivem momentos de reciclagem política e de lucidez editorial. Talvez, por isso, o ex-presidente Lula não tenha mais a compreensão do Brasil de hoje e o que é conviver com a imprensa livre. Ao ser cobrado pelos desmandos petistas, ele partiu para o ataque: quer fazer uma agência de notícias, já tentou criar um conselho para calar jornalistas e mantém blogs chapa-branca com dinheiro das estatais para falar bem do governo e do seu partido.
Lula, o Brasil definitivamente não é Cuba.