terça-feira, maio 13, 2014

A mãe de todas as aberrações

Carlos Chagas
Tribuna da Imprensa

Para a presidente Dilma a reforma política é a chave para a solução dos nossos problemas. A panacéia universal. Cada um tem o direito de interpretar como quiser o mundo à sua volta, assim como temos a obrigação de nos comportarmos de acordo com nossas concepções, mesmo antes de realizadas. Sendo assim, vale partir do geral para o particular.

Qual uma das maiores necessidades de mudança em nossas estruturas políticas? Acabar com o princípio da reeleição na forma como foi imposta ao Congresso nos tempos de Fernando Henrique Cardoso, ou seja, extinguir a possibilidade de um presidente da República, governador ou prefeito disputar o segundo mandato no exercício do primeiro. Uma aberração, porque dispondo da caneta e do diário oficial, um governante só não se reelege se for mesmo muito ruim. Trata-se de um privilégio inadmissível, estabelecido para beneficiar os detentores do poder. Não se cogitou sequer de obrigar o felizardo a desincompatibilizar-se seis meses antes da eleição, como acontece com os demais ocupantes de cargos executivos. Uma velhacaria inventada pelo sociólogo e seguida pelo torneiro-mecânico. E agora praticada pela primeira mulher a ocupar o palácio do Planalto.

Não seria o caso, diante da premência da reforma política como remédio para salvar o país, que dona Dilma desse o exemplo? Que não se tivesse apresentado para disputar o segundo mandato apoiada numa vigarice? Ou, pelo menos, que se desincompatibilizasse?

Nada de novo debaixo do sol. Em política, ninguém rejeita privilégios. A presidente, durante a disputa eleitoral, continua governando como antes. Ou até em ritmo mais acelerado. Viaja, percorre os estados, distribui tratores, expõe-se ainda mais ao eleitorado, espalha favores e libera verbas. Sempre que precisa, convoca cadeias nacionais de rádio e televisão. Como candidata, usufrui do instrumental posto à disposição da presidência. E prega a reforma política, ainda que disposta a não abrir mão da prerrogativa que a todos   ofende, menos a ela. Querem saber quando nos livraremos dessa aberração? Nunca.  Aécio Neves e Eduardo Campos saltariam de banda, se dependesse deles depois de uma improvável vitória em outubro.

TRÊS AUSÊNCIAS INEXPLICÁVEIS
Vale repetir que razão mesmo tinha o dr. Ulysses quando comentou que “pior do que o atual Congresso, só o próximo”.

Por enquanto já se sabe que pelo menos três dos mais competentes senadores não voltarão na nova Legislatura: Francisco Dornelles, no Rio, Ignácio Arruda, no Ceará, e Pedro Simon, no Rio Grande do Sul. Provavelmente surgirão outras vítimas, levadas ao altar do sacrifício pela corrente de insensatez de grupos partidários ávidos em usufruir do poder.

Dornelles não se candidatará à reeleição porque o ex-governador Sérgio Cabral exigiu a vaga. Nem é preciso compará-los. Ignácio Arruda sobrou na composição dos partidos que bajulam e chantageiam o governo federal. Para o seu lugar apresenta-se Tasso Jereissati. Pedro Simon, pelas mesmas razões, será substituído por um desconhecido qualquer. Não há nada que se possa fazer, mas bem que o eleitorado poderia Dar o troco, derrotando esses três lambões.