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Com informações Agência EFE
Atual acordo expira no próximo dia 30 de junho e os países realizaram contínuas reuniões nas últimas semanas a fim de conseguir sua renovação
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Carros: técnicos dos dois países estabelecerão um cronograma de trabalho
para os próximos meses, nos quais serão discutidas as bases de um acordo definitivo
Brasília - Brasil e Argentina prorrogarão por um ano um acordo bilateral no setor automotivo e, durante esse período, negociarão um convênio definitivo, anunciou nesta quinta-feira o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges.
O atual acordo expira no próximo dia 30 de junho e os países realizaram contínuas reuniões nas últimas semanas a fim de conseguir sua renovação, que, segundo se decidiu, será por um ano e de forma "provisória", disse Borges durante uma audiência no Senado.
Segundo o ministro, técnicos dos dois países estabelecerão um cronograma de trabalho para os próximos meses, nos quais serão discutidas as bases de um acordo definitivo, que permita conseguir uma "verdadeira integração" bilateral no setor automotivo.
Borges disse que, na renovação, será mantida a fórmula conhecida como "flex", que determina quanto pode importar cada país em função do que exporta.
O ministro explicou que o índice utilizado para essa fórmula era até agora de 1,95, o que significa que para cada US$ 1 milhão em veículos argentinos que chegavam ao Brasil, os fabricantes brasileiros tinham direito a exportar carros por um valor de US$ 1,95 milhão.
Borges esclareceu que, apesar da manutenção dessa fórmula durante o próximo ano, o índice pode ser alterado, o que será objeto de negociações que técnicos de ambos países manterão durante os próximos dias.
Na opinião do ministro, a prorrogação por um ano permitirá aos dois países "ter o tempo necessário para seguir trabalhando" e "conseguir uma plena integração das cadeias produtivas" no setor automotivo.
A Argentina tem um especial interesse na renovação do acordo automotivo, que considera de vital importância para reativar o comércio com o Brasil, que em abril passado caiu 24% frente ao mesmo mês do 2013, segundo dados oficiais.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
O grupo de trabalho brasileiro precisa levar em conta duas questões: a primeira, que garantias a Argentina oferece de que cumprirá o acordo até o prazo final? E a segunda, as negociações, por Brasil, devem visar, prioritariamente, o interesse do Brasil. Chega de termos um governo que elege os interesses dos outros em antes dos nossos. Assim, fica a questão: até aonde o grupo brasileiro está autorizado a impor o interesse do país em primeiro lugar? E, nestas negociações sobre um acordo definitivo, deve ficar claro que, hoje, a Argentina depende muito mais do Brasil, do que o contrário. Deste modo, neste acordo deve-se cobrar do governo da senhora Kirchner reais garantias de que cumprirá na íntegra aquilo que ficar estabelecido.
