Cláudia Collucci e Érica Fraga
Folha de São Paulo
A recuperação do poder de compra das aposentadorias nos últimos anos foi acompanhada por uma explosão de endividamento dos idosos, que têm se tornado vítimas de casos crescentes de abusos financeiros.
Nos últimos três anos, o saldo das dívidas de aposentados e pensionistas na modalidade de crédito consignado cresceu 27% (descontada a inflação), de R$ 52,5 bilhões para R$ 66,8 bilhões, segundo dados do Banco Central.
O aumento é quatro vezes maior que o reajuste real de 5,2% dos benefícios pagos pela Previdência a esse grupo e quase três vezes superior ao crescimento de 7% no número de aposentados e pensionistas, para 42,2 milhões.
Também ultrapassa, de longe, a expansão de 3,7% dos empréstimos consignados a funcionários públicos.
Somente em 2013 o valor dos novos contratos de consignados contraídos por aposentados e pensionistas dobrou, de acordo com o INSS, atingindo R$ 31 bilhões.
Parte desse maior endividamento é consequência de um problema crescente no país: a violência financeira, que representa 21% das denúncias de abusos contra idosos compiladas pela Secretaria de Direitos Humanos.
Profissionais de saúde, assistentes sociais, promotores e representantes de ONGs relatam que os casos de idosos que têm suas pensões e aposentadorias gastas por familiares são recorrentes.
Segundo eles, têm aumentado também as situações em que aposentados contraem empréstimos a pedido de filhos ou outros familiares.
“Já tivemos até caso de familiar tentando pegar as digitais do pai, que estava internado inconsciente na UTI, para contrair um empréstimo”, diz a assistente social Shirlene Leão, de Belém (PA).
RENDA MAIOR
A forte expansão do endividamento dos idosos-por conta própria ou a pedido de familiares —veio na esteira da recuperação de sua renda.
Nos últimos anos, os benefícios pagos pelo INSS a aposentados e pensionistas tenderam a ser reajustados acima da inflação.
Esse movimento coincidiu com o surgimento do crédito consignado, modalidade em que a prestação do empréstimo já vem descontada da folha de pagamento e cujos juros são mais baixos.
A maior segurança nesse tipo de empréstimo levou a uma ofensiva dos bancos à busca de clientes.
O problema, segundo especialistas, é que a contratação de um crédito consignado tem levado a outras operações que vêm alavancando o endividamento dos idosos.
É o caso do chamado seguro prestamista, que garante o pagamento da dívida em caso de morte do devedor.
A aposentada Judith Resende do Prado, 63, por exemplo, reclama que os seguros contraídos para cada uma de suas três dívidas oneram ainda mais seus custos.
“Eu nem tinha noção de quanto pagava só de seguro.”
Com dificuldade de conciliar as dívidas e as despesas familiares, Judith procurou recentemente a ONG ABC (Associação Brasileira do Consumidor) em busca de ajuda.
Apu Gomes/Folhapress
que procurou ajuda de ONG para lidar com sua dívida
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Vimos, no post anterior, que Lula quer por que quer que a senhora Rousseff comprometa ainda mais a situação fiscal, já combalida pela má gestão, abrindo o cofre para aumentar o crédito na praça.
Acho que, pelo fato de Lula sair feito caixeiro viajante peço mundo todo, talvez esteja afastado da realidade do país. O índice de endividamento das famílias já está relativamente alto e, aumentar a disponibilidade de crédito, irá comprometer ainda mais a renda das famílias, conduzindo os níveis de inadimplência para níveis perigosos. Hoje, em razão dos juros elevados, o crédito está caro demais para o brasileiro médio, dada sua renda ainda muito baixa.
Portanto, a receita de Lula só pode ser delírio provocado pela desinformação. Além disto, nota-se, Lula teima com receitas que, já há algum tempo, não produzem mais resultados. E, acrescente-se, Dilma não faz outra coisa a não ser cumprir as ordens do ex em exercício. O problema que o prazo de validade da fórmula já se esgotou. Na situação atual, mais crédito só trará mais combustível para a inflação.
