Eliane Oliveira
O Globo
Ferraço enviou carta ao Itamaraty e à OEA e pediu providências sobre acusações de que parlamentar trama morte de Maduro
Carlos Garcia Rawlins / REUTERS
Maria Corina Machado (ao centro) caminha com Lilian Tintori (à direita),
mulher do líder opositor preso Leopoldo López, até uma corte de Caracas
BRASÍLIA - O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Ricardo Ferraço (PMDB-ES), enviou carta nesta segunda-feira ao Itamaraty e à Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) relatando as ameaças que a deputada venezuelana María Corina Machado vem recebendo em seu país. Ela acusa o governo do presidente Nicolás Maduro de persegui-la. Ao Ministério das Relações Exteriores, ele pediu providências.
Ferraço recebeu uma carta da parlamentar em que ela relatava que integrantes do governo venezulano divulgaram nas redes sociais seus telefones privados. “Desde então, tenho recebido numerosas ameaças de morte contra mim e contra meus filhos”, diz um trecho da correspondência.
Ela relatou ainda ter sido acusada pelo governo da Venezuela de tentativa de golpe de Estado e de tramar a morte de Maduro. Segundo María Corina, as acusações vieram acompanhadas de correios eletrônicos falsos.
— Levei o fato ao conhecimento das instituições. Gostaria de lembrar que a Venezuela é membro do Mercosul que, por sua vez, possui premissas e cláusulas democráticas. É preciso que o Itamaraty examine melhor essa questão — disse Ferraço.
O senador afirmou estar preocupado com a situação na Venezuela. Ele enfatizou que a deputada venezuelana se tornou símbolo de resistência democrática e de não violência em seu país.
“Por longa tradição diplomática e até por mandamento constitucional, o Brasil não intervém em questões domésticas de países amigos, defende o primado do entendimento e da solução pacífica de desinteligências políticas. Por outro lado, há também uma longa tradição segundo a qual impera, nos momentos de crise e de instabilidade, o dever da solidariedade entre países que amam a democracia. Nos nossos dias, não há legitimidade fora do ideal democrático, o que supõe a universalidade da cidadania, dos direitos políticos e dos direitos civis”, ressaltou Ferraço, em um trecho da carta encaminhada ao Itamaraty.
