sábado, julho 12, 2014

Brasileiros aproveitaram invasão "gringa", mas há críticas

Marina Pinhoni e Beatriz Souza
Exame.com

O Brasil é mundialmente conhecido pela receptividade e alegria com quem vem de fora. Mas será que, durante a Copa, a recíproca foi verdadeira?

Beatriz Souza/ EXAME.com 
Holandeses na Arena Corinthians: Brasil viu enxurrada de estrangeiros

 São Paulo - A Copa do Mundo serviu para coroar a fama de que o povo brasileiro é alegre e receptivo. O discurso é praticamente unânime: o esforço dos anfitriões em receber bem é uma das maiores qualidades citadas pelos visitantes. Mas e osbrasileiros? O que pensam sobre a invasão de “gringos” no último mês?

“Tem gente simpática, mas alguns são muito grossos. Eu diria que só 45% dos turistas estrangeiros com quem tive contato são educados”, diz Alefy da Cruz, que trabalha em uma banca de jornal na Avenida Paulista, próxima a estações do metrô e diversos hotéis.

“Mas isso não é exclusividade deles, né? Os brasileiros são iguais”, ressalva o também estudante, de 17 anos.

Alefy afirma que o movimento na banca aumentou muito durante a Copa, mas que a maioria das pessoas ia até lá apenas para pedir informações.

Beatriz Souza/EXAME.com 


“O pessoal mandava pra cá porque eu sou um dos únicos que fala inglês. Já no espanhol eu sou péssimo, é bem mais difícil de entender”, diz. 

Mas ele lembra que o esforço nem sempre é reconhecido. “Um cara veio aqui pedir informação e saiu reclamando que meu inglês era horrível. Ele está no meu país e eu que sou obrigado a falar a língua dele?”, questiona.
Por outro lado, Ana Paula Porcino, mesmo sem falar nada em outro idioma, disse não ter tido problema com os turistas. 

Ela, que pode ser vista na foto abaixo, trabalhou em todos os jogos como vendedora autorizada de bebidas na Fifa Fan Fest montada no Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo.

A melhor coisa da Copa? Segundo ela, a oportunidade de ganhar um dinheiro extra. O complemento na renda parece compensar o trabalho duro enquanto os outros se divertem.

Ao ser questionada se não parava de vez em quando para dar uma espiadinha no jogos transmitidos pelo telão, ela crava: “Nem pensar. Essa é a hora que o pessoal mais quer beber”.

Beatriz Souza/EXAME.com


Também turista em São Paulo, o mineiro da cidade de Passos, Roberto Atsushi, aproveitava com a família o clima de descontração e integração internacional observado na Fan Fest.

O avicultor parecia se divertir enquanto filmava o filho e a esposa andarem no brinquedo que era uma das atrações do local.

 “Estamos gostando de tudo”, respondeu timidamente em relação à Copa e aos estrangeiros, ao lado da família.

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Já o apaixonado por futebol, Yazid Naked, não escondia de ninguém a alegria de torcer em mais uma Copa. 

O engenheiro de 70 anos foi até o centro da cidade na companhia de sua esposa, Darcy Naked, a contragosto dos filhos, que achavam que podia ser perigoso.

“Eu acompanhei a Copa de 62 aqui, neste mesmo lugar (Vale do Anhangabaú). Mas ao invés desse telão, o que a gente tinha na época era uma espécie de painel com luzinhas que marcavam o caminho da bola”, conta Yazid.

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Empolgado com a tecnologia, ele registrava tudo com seu smartphone. “A principal diferença é que hoje eu mando até selfie para os meus filhos em tempo real”.

O aposentado, que também foi até Brasília para assistir a um dos jogos da Seleção, disse que o contato com os “gringos” foi muito positivo. “Conversei principalmente belgas e argentinos”, diz.

“Ele é louco por futebol. Queria tanto vir aqui hoje que eu resolvi fazer companhia”, conta Darcy.

Pena que a empolgação do casal não deve ter durado por muito tempo, já que a entrevista foi realizada minutos antes do início da terrível derrota brasileira por 7 X 1 contra a Alemanha.

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