sábado, julho 12, 2014

O desastre do Brasil, na visão do poeta Carlos Nejar

Carlos Nejar
Tribuna da Imprensa


Este desastre do futebol brasileiro diante da Alemanha, em goleada, começou bem antes da lesão propositada em Neymar, veio bem antes de quando Felipão mostrou-se desatualizado, soberbo, ditador; veio antes pela excessiva propaganda, cuidando dos mínimos gestos e movimentos de nossos jogadores, como se fossem deuses, novos e opulentos, com a supervalorizaração dos pés, como se pensassem ou criassem a ordem do universo. Não foi apenas a seleção alemã superior, houve negligência, pane, lapso dos atletas nacionais e como de início se viu um time de sopro curto. O preço foi muito caro.

Esse desastre começou com Lula e continuou com Dilma Rousseff com gastos em estádios, criando dinheiro onde não havia, criando inflação, feriados, bolha imobiliária, a ponto de o país parar. Criando, sim, elefantes brancos, faraônicos, até em Manaus, Cuiabá, Fonte Nova, Mané Garrincha, Maracanã, no Beira-Rio, na Arena de São Paulo, em Recife, no Paraná, no Mineirão, em Belo Horizonte, e outras duas cidades, alargando o bolso dos empreiteiros e, quiçá, de alguns governos, quando para uma Copa do Mundo bastava a metade de estádios. Agora nem saberemos o que fazer com alguns deles.

Gastamos para a glória alheia, gastamos para nada. E o povo brasileiro chora nas arquibancadas e mais chora pelo desperdício de nosso dinheiro, que poderia servir para a saúde, a educação, a cultura, a construção de casas populares. Não se entende a cabeça de alguns de nossos políticos, responsáveis por tal desastre e que não cabe nem lamentar, lamentamos a existência deles. Nem entendemos a avidez e a razão de alguns rinocerontes de nossa vida pública rondando os cofres e o bem comum. E tal desastre mostrou que não temos governança criteriosa, gestão sábia, sendo a administração do Erário desmontável e frágil como a queda recente do viaduto em Minas Gerais. O desastre já estava anunciado, com a Fifa poderosa impondo ordenações e leis, com alguns juízes cegos e incompetentes.

A presidente Dilma não é a única responsável por esta hecatombe nacional no esporte mais importante do país, mas dela também partiram esses desmandos, sem falar da Petrobras ou Pasadena. E não pode agora ficar em cima do muro, presa na sua autossuficiência. Não só Neymar que faltou, faltaram o nosso orgulho, a nossa alegria de povo diante do resultado, que foi uma solene goleada, a mais funesta da história, que chegou a ser piada no estrangeiro. Não temos apenas de reformular o nosso futebol, temos que também mudar nosso governo, que desperdiçou a riqueza da nação e não aceitamos que persista em cima do muro.

A nossa seleção se apresentou com sinais visíveis de despreparo. Sem poder de artilharia. E todos sofremos juntos o desastre.

Observou o Padre Antônio Vieira que “as lágrimas são consequência da vista; ajuntou a Providência o chorar com o ver porque o ver é a causa de chorar. Sabeis por que choram os olhos? Porque veem”.