Adelson Elias Vasconcellos
A Rede Band de Televisão realizou na noite desta terça-feira, um debate entre os candidatos presidenciáveis. Ali compareceram Dilma Rousseff, Luciana Genro , Marina Silva, Eduardo Jorge, Luiz Fidélix, Aécio Neves e Pastor Everaldo.
Claro que a imprensa irá debulhar o comportamento de cada um dos candidatos. COMENTANDO A NOTÍCIA não irá se furtar de comentar rapidamente as observações que registrou neste debate.
Começo por uma constatação que até poderia caber como pergunta à senhora Rousseff: com qual candidato do PSDB ela pensar estar concorrendo, com Aécio Neves ou Fernando Henrique? Esta senhora só sabe criticar um governo do qual Aécio não participou em cargo nenhum. Portanto, se erros e acertos aconteceram naquele governo, não é com Aécio que ela deve discutir.
Além disto, Aécio Neves foi governador de Minas Gerais por dois mandatos, saindo com aprovação próxima a 70%. Como Minas Gerais é um importante estado da federação, com um povo trabalhador, inteligente e culto, Aécio não receberia tamanha aprovação de forma gratuita, a amenos que seu governo tivesse sido de alto nível.
Marina e Aécio combinaram em um momento ao menos: ambos apontaram a fantasia do Brasil apontado na propaganda de Dilma com a realidade do dia a dia dos brasileiros.
Já Dilma parecia estar fora do lugar. Acusou o PSDB de, no governo FHC, ter cortado salário e aplicado tarifaços. Mentira. Sobre salários falo mais adiante e quanto aos tarifaços é engraçada a acusação de Dilma. Quando o PT assumiu, a carga tributária sobre as tarifas de energia elétrica era de 21,6%. Já no primeiro mandato de Lula, a carga subiu para 48,0%. Corte de empregos? Pois não: a indústria brasileira, apenas no mandato de Dilma Rousseff, já fechou mais de 1 milhão de postos de trabalho. No campo estatal, juntando-se Petrobrás, Infraero e Eletrobrás, foram para o ralo mais de 12 mil empregos. Sem contar que as três empresas junta, e cada uma ao seu modo, estouraram sua capacidade de endividamento.
Num texto publicado logo abaixo, comentamos a declaração de Guido Mantega, Ministro da Fazenda do governo Dilma, de que o Brasil não vive crise nenhuma. Isto foi dito na segunda feira. Afirmou o ministro: ”... Que crise é essa com pleno emprego, com valorização da Bolsa há mais de seis meses, e com estabilidade cambial? Que crise é essa com elevado volume de investimento estrangeiro direto no país?...”. E não é que, na primeira oportunidade que teve para se manifestar, a senhora Rousseff veio com o papo desgastado tanto quanto inadequado da tal “crise internacional”?
Além disto, quando pode, também não se furtou de acusar o governo FHC de haver quebrado o Brasil três vezes. Isto é de uma estupidez e falta de senso de realidade dolorosa e doentia. Foi FHC quem quebrou o Brasil, quando FHC recebeu o Brasil para governar o país já estava quebrado, sem crédito no mercado internacional, falido, em profunda recessão, inflação galopante de dois dígitos mensais, déficit público descontrolado, uma dívida externa impagável. Além disto, a média de crescimento mundial naquele período nunca foi superior a 2,5% anual, enquanto no período de Lula a economia mundial cresceu na média índices superiores a 5,0% anuais. A liquidez do mercado era mínima em razão de cinco crises mundiais. Lula surfou numa onda de 6 anos de crescimento mundial ininterruptos e sem crise alguma. E, claro, com um país arrumado, ao contrário que ele recebeu em 1995.
Dilma ainda acusou o governo FHC de desemprego, recessão, compressão dos salários. Já mostramos que aconteceu justamente o contrário. Primeiro, quem comprime e arrocha os salários são os governos petistas com a redução gradual da faixa de isenção do imposto de renda na fonte. Quem primeiro começou a aumentar o salário mínimo em termos reais foi FHC, e em índices superiores aos da própria Dilma. Quanto ao desemprego, ele já muito alto. O país vivia um período de pura especulação financeira, quando os investimentos convergiam apenas para os títulos públicos e realização de ganhos fácil. E, graças ao Plano Real e as reformas dele derivadas, este verdadeiro circo teve fim. E, cereja do bolo, foi quem criou os programas de distribuição d renda através do Comunidade Solidária.
A todas as acusações feitas por Dilma, Aécio se mostrou um oponente fraco que não soube retrucar as mentiras colocando a verdade no seu devido posto. Por incrível que pareça, neste ponto, Marina Silva se mostrou muito mais tucana do que o próprio candidato do partido.
Do discurso de Marina dá para retirar um ponto positivo, e aqui tantas vezes comentado. Os governos petistas governam dividindo o Brasil, ao contrário do que a Marina pretende fazer. Difícil será negociar as reformas que pretendem implementar com uma base congressual relativamente pobre. Neste aspecto, tanto Aécio quanto Dilma tem maior poder de fogo. Mas marina precisa rever afirmações sobre a polarização PSDB-PT representar retrocesso ao país. Ou bem ela reconhece as virtudes de um governo e outro, como de fato fez, ao destacar as conquistas econômicas de FHC e as sociais de Lula, ou esquece o assunto e parte para o confronto. Nada há de errado em polarização política. Pelo contrário. Isto é assim em grande parte dos países democráticos. Raros em que existe uma terceira via fortalecida e com presença marcante no cenário eleitoral. Bem que marina poderia tomar umas lições de história universal, e ainda tentar compreender alguns ensinamentos da política como ciência.
Dilma ainda se vangloriou da desoneração da cesta básica. Na verdade, ela se vangloria é de uma vigarice contra o país. O projeto de desoneração da cesta básica era de autoria do PSDB e ela foi aprovada no Congresso. Na hora de sancionar, Dilma simplesmente vetou a desoneração. Pouco mais de um mês depois, ela própria reapresentou o projeto para, como é costume do seu partido, cumprimentar com o chapéu alheio.
Levy Fidélix tocou num ponto nevrálgico: dívida pública. FHC entregou o Brasil com uma dívida de R$ 600 bi, sendo que boa parte desta dívida era proveniente de governos estaduais assumidos pelo Tesouro nacional. A dívida que estados e municípios pagam hoje ao governo federal provém justamente desta repactuação. A dívida estadual passava para o plano federal, desde que os estados assumissem compromissos com a responsabilidade fiscal. E isto foi vital para a conquista da estabilidade econômica, recuperação da capacidade investimentos dos estados e controle da inflação galopante .
Hoje, de acordo com o site Auditoria Cidadã da Dívida, está dívida foi multiplicada em 5 vezes. A dívida pública é de exatos R$ R$ 2.986.224.207.362,59. A dívida externa está em US$ 485.128.950.263,77. Como nossas reservas internacionais são pouco mais de US$ 300 bi, a balela de que Lula pagou a dívida externa não passa de grossa mentira. R$ 459.717.351.360 = 3,4 bi / dia.
Em 2014, até 14/5, a dívida consumiu R$ 460 bilhões ou 54% do gasto federal. Ora, não há orçamento suficiente que consiga bancar além do serviço da dívida, os investimentos necessários nas áreas da educação, saúde, segurança, saneamento e infraestrutura, além do que é consumido pela própria máquina pública.
Assim, as propostas defendidas por Luciana Genro, por exemplo, e pelo próprio Levy Fidélix, deve ser levadas na conta de imaturidade e irresponsabilidade. A profunda recessão vida pelo Brasil com Sarney e Collor, com brutal custo social, foi proveniente justamente da moratória da dívida declarada por José Sarney.
Ora, além do brutal crescimento da arrecadação de impostos ocorrido durante 12 anos de governos petistas, ter aumentado a dívida em cinco vezes, e o resultado que se tem de baixo crescimento, inflação e juros altos, além de serviços públicos deteriorados, a questão que se coloca é a seguinte: para onde foi todo esta dinheirama, fruto de impostos e dívida pública?
Assim, o que fica do debate é um resultado ainda de maior insegurança: nenhum dos candidatos foi capaz de apresentar um projeto minimamente devotado ao interesse do país. Promessas? Ah, sim, houve muitas, algumas até inviáveis, mas projeto que é bom o resultado é decepcionante.
Por exemplo, Marina fala de seus feitos enquanto ministra do Meio Ambiente. Bem, os empresários e agropecuaristas sabem bem o perigo destes feitos, não é mesmo?
Dilma promete fazer, mas em 12 anos de PT o resultado que se tem é de retrocesso, tanto no plano institucional quanto no econômico. Justificar como fez o investimento no Porto de Cuba, é uma destas tolices que só um pensamento medíocre e alienado é capaz de oferecer. Os empregos gerados pela construção do porto foram gerados em Cuba, não no Brasil, e quem vai operar o porto são os russos que já firmaram protocolo para tanto. Dizer que a obrigação dos cubanos seria a de comprar máquinas e equipamentos não resiste a meio segundo de reflexão: poderíamos ter gasto o mesmo dinheiro para ampliar as capacidades de Paranaguá e santos, comprados os mesmo equipamentos também no Brasil, e no canteiro de obras ter gerados milhares de empregos diretos. No fundo, Dilma tentou justificar de maneira distorcida, o financiamento à ditadura cubana.
Da mesma forma o programa Mais Médicos. O problema da saúde pública é a falta de estrutura física da rede pública, onde as pessoas são atendidas em macas estendidas pelos corredores entupidas e sem a menor condição de higiene, e onde faltam até medicamentos básicos para atendimento. Meses a fio as pessoas precisam esperar para realizar exames, muitas vezes porque os equipamentos estão quebrados e sem manutenção. Há dez anos que a tabela de serviços do SUS não é reajustada, razão pela qual tem ocorrido a redução de milhares de leitos nos últimos anos. E não é nada ético, senhora Dilma, que os médicos cubanos recebam salários menores que seus colegas de outros países, tudo porque boa parte do dinheiro pago pelo Brasil fica retido pelo governo cubano. E a afirmação de que pouco mais de 14 mil médicos dá conta de atenderem 50 milhões de pessoas é pura alucinação.
E quando o assunto foi segurança o que Dilma tinha para dizer, depois de 12 anos de PT poder, e com 50 mil homicídios por ano? Nada. Não há projetos, não há programas, não há realizações. Sistema penitenciário degradante? Silêncio, até parece que quem governa são os outros. De Dilma só promessas e discursos vazios.
Dá sim para se tirar algumas conclusões sobre as respostas de cada um dos candidatos. É possível perceber que Dilma imagina estar numa eleição errada, ao bater em quem sequer está registrado. Que ela e Marina não têm projetos, que Aécio ainda não afinou seu discurso muito embora tenha sido ele quem melhor apresentou propostas concretas e não apenas promessas débeis. No confronto, Aécio se mostrou ao mesmo nível de Marina, sendo eles os que se saíram melhor. Dilma não consegue rebater críticas sem agressividade e patetice. Sua performance sobre os escândalos da Petrobrás foi simplesmente ridícula.
O jeito é ninguém comprometer-se com ninguém. O melhor que podemos fazer é aguardar os próximos debates e o andamento das campanhas e discursos de cada um dos candidatos para fazermos melhor avaliação de quem é quem.
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