Ricardo Noblat
(Foto: Ailton de Freitas / Agência O Globo)
Dilma Rousseff
Era só o que faltava.
Para defender-se da acusação de que é uma chefa centralizadora, Dilma disse ao jornal americano “The Washington Post” que “há um pouco de preconceito sexual” nisso.
- Eu acredito que há um pouco de preconceito sexual, ou viés de gênero. Sou descrita como uma mulher dura e forte que coloca o nariz em tudo, e eu estou [me dizem] cercada por homens meigos. Alguma vez você já ouviu alguém dizer que um presidente do sexo masculino coloca o dedo em tudo?
Por aqui, a acusação de que é uma chefa centralizadora jamais veio acompanhada de qualquer referência a sexo. Ela está querendo se fazer de coitadinha. Aprendeu com Lula.
É Dilma – e mais ninguém – que se diz cercada por homens meigos. Ela se vale disso para justificar a necessidade de ser dura.
Quanto à pergunta que fez ao entrevistador (“Alguma vez você já ouviu alguém dizer que um presidente do sexo masculino coloca o dedo em tudo?”), a resposta é fácil. Sim, ele já ouviu. Todo mundo ouviu.
Entre nós, o general Ernesto Geisel, um dos presidentes da ditadura militar de 1964, foi um centralizador de primeira. Metia o dedo em tudo. Fernando Collor também foi. Ao seu modo, Lula foi.
Dilma garantiu que não “pretende arrancar os cabelos” pelo fato de ser rejeitada por 65% dos brasileiros. De fato, não adiantaria arrancá-los.
Perguntada se em algum momento no primeiro mandato pensou que o país não ia bem, saiu de lado respondendo que houve um agravamento da situação econômica no final de 2014.
Ela atravessou todo o primeiro mandato sabendo que a crise não era a “marolinha” falsamente identificada por Lula, mas um maremoto. Como queria se reeleger, usou medidas para atrasar a chegada da crise.
Uma vez reeleita, não tinha mais o que fazer senão tomar dos brasileiros empregos e renda.
Dilma insistiu que desconhecia a corrupção na Petrobras.
— Não (sabia). Uma investigação teve que ser conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público antes que descobríssemos. Você normalmente não vê a corrupção acontecendo. Isso é típico da corrupção, ela se esconde.
A corrupção se esconde, sim. Mas um chefe atento, cuidadoso, acaba descobrindo. Mais ainda quando a corrupção assume as proporções de um tsunami.
