O Globo
Editorial
O mercado acionário chinês acabou dando um susto em todo o mundo pelo receio de alguma crise estar se formando por lá. Estouros de “bolhas especulativas” em mercados financeiros desencadearam crises recentes em várias economias. No caso da China, a torcida é para que o que acontece com a Bolsa de Valores tenha pouca possibilidade de contaminar o os setores produtivos.
Após um crescimento espantoso por anos consecutivos, a economia chinesa vem reduzindo o ritmo. Chega a surpreender que isso tenha demorado a ocorrer, contrariando muitas previsões baseados nos ciclos econômicos.
A China é o país que mais importa do Brasil. Ainda que essas compras se concentrem em poucos produtos básicos (soja, minério de ferro e petróleo), tais exportações é que proporcionam um saldo com os chineses. Assim, tudo que acontece da economia da China hoje é de especial interesse para o Brasil.
As exportações cumpriram papel relevante na retomada da economia brasileira após o ano 2000, pois saíram de um patamar de US$ 65 bilhões e chegaram a alcançar a casa de US$ 250 bilhões, recuando no ano passado para a faixa de US$ 225 bilhões.
O salto nas vendas externas teve a ver com a mudança do regime de câmbio, que passou a flutuar em 1999, e outros fatores: ganhos de eficiência decorrentes das reformas feitas após o lançamento do real e das privatizações, expansão de mercados em países da América do Sul, e o “boom” nas cotações de commodities ocasionada pela forte demanda da China por matérias-primas e produtos básicos. O aumento das exportações contribuiu para uma considerável melhora nas contas externas do país e para a economia brasileira obter o grau de investimento no conceito das agências internacionais classificadoras de risco.
No entanto, essa melhora fez com que o real se valorizasse muito. Por um lado, a apreciação favoreceu o combate à inflação, mas, por outro, tirou competitividade das exportações de manufaturados e impulsionou as importações dessas mercadorias. O encolhimento que se verificou na indústria de transformação é em parte atribuído à valorização ocorrida no câmbio.
Mas o cenário mudou. O real voltou a se depreciar e já se espera para 2015 um saldo acima de US$ 10 bilhões na balança comercial (em 2014, o país registrou seu primeiro déficit no comércio desde o ano 2000). Já não há um “boom” de commodities, pois o ritmo da China continuará desacelerando. Do Mercosul não se deve esperar muito, em face dos problemas na Argentina e da situação crítica na Venezuela. Porém, não é momento de desistir. O governo lançou um programa para estimular as exportações, com o propósito de identificar oportunidades e remover obstáculos à venda de produtos no exterior. Enfim, uma estratégia, que estava fazendo falta. Não se pode continuar a depender basicamente de desvalorizações cambiais para sustentar o comércio exterior.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
A cada dia, mais visível fica o grande erro estratégico da política externa brasileira conduzida pelos governos petistas. A insistência em se manter apenas no Mercosul e em incentivar, unicamente, a relação bilateral comercial com a China, deixou-nos sem mercados. Basta que a China, como agora, reduza seu volume de compras, as commodities com preços internacionais em baixa e os integrantes do Mercosul em crise como estão Argentina e Venezuela e fica exposta toda nossa vulnerabilidade.
Há muito tempo que se recomenda ao país abrir-se para o mundo, impondo no âmbito do Mercosul a liberdade para o Brasil firmar acordos bilaterais de comercio com quem bem entenda, sem a obrigação de pedir aval para os parceiros do bloco. Exemplo disto é o acordo com a Comunidade Europeia, que se arrasta há anos, com a Argentina colocando obstáculos para a sua conclusão. Resultado: o Brasil deixa de exportar bilhões de dólares por birra do vizinho.
O Brasil é um país independente e, apesar da crise atual, tem uma economia dinâmica que não pode ficar à mercê da boa vontade da senhora Cristina Kirchner e seus caprichos. Que o governo Dilma jogue no lixo toda esta ideologia estúpida de só priorizar relação com parceiros ideologicamente alinhados com o PT. Afinal, ela foi eleita para governar o “Brasil”, e não a comunidade esquerdopata mundial. Já tivemos, e ainda estamos tendo, prejuízos incalculáveis por conta desta estupidez.