sexta-feira, julho 24, 2015

'O problema é bem maior', disse Pessoa sobre doações à campanha de Dilma

Da redação
Veja online

Em mensagem enviada pelo celular, empreiteiro já indicava que teria de doar muito mais do que pretendia, por causa da pressão de Edinho Silva

(Marcos Bezerra/Futura Press/Estadão Conteúdo/VEJA)
 Ricardo Pessoa, dono da UTC

Há um mês reportagem de VEJA detalhou o depoimento prestado pelo empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, em acordo de delação premiada, à força-tarefa da Operação Lava Jato. Entre as informações demolidoras repassadas por ele está a de que foi com a verba desviada da Petrobras que a UTC doou dinheiro para as campanhas de Lula em 2006 e de Dilma em 2014. E mais: o empreiteiro delatou as somas que entregou aos donos do poder, segundo ele, mediante achaques e chantagens. 

Pessoa afirmou que foi pressionado por Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma e atual ministro de Comunicação Social, a doar 10 milhões de reais. Acabou repassando somente 7,5 milhões porque foi preso antes de completar o montante pedido. Reportagem desta quinta-feira do jornal Folha de S. Paulorevela o conteúdo de uma mensagem de celular em que o empreiteiro trata da doação à campanha de Dilma. "O problema é bem maior", escreveu Pessoa sobre o repasse.

A mensagem foi enviada em 29 de julho do ano passado ao ex-diretor financeiro da empreiteira Walmir Pinheiro. Segundo o o jornal, o empreiteiro revelou a pessoas próximas que o "problema" citado na mensagem é a diferença entre o valor que ele pretendia doar (5 milhões de reis) e o que o ministro-tesoureiro solicitou. "Estive com Edinho. A pessoa que você tem que ligar é Manoel Araujo [hoje chefe de gabinete do petista]. Acertado 2,5 dia 5/8 (até) e 2,5 até 30/8. Ligue para ele que está esperando. O problema é bem maior. Me de resposta. Edinho já passou os dados. Abs", escreveu Pessoa na mensagem a "WP" - referência a Walmir Pinheiro.

Documentos entregues pelo empresário mostram que foram feitos dois depósitos de 2,5 milhões de reais cada um, em 5 e 30 de agosto de 2014. Depois dos pagamentos, Sobrinho acertou com o empreiteiro o repasse de outros 5 milhões para o caixa eleitoral de Dilma. Pessoa entregou metade do valor pedido e se comprometeu a pagar a parcela restante depois das eleições. Não cumpriu o prometido porque foi preso antes.