Míriam Leitão
O Globo
A queda do PIB anunciada pelo IBGE ficou perto das previsões menos pessimistas. O recuo foi de 0,2% sobre o trimestre anterior, um pouco pior do que o previsto pela Fundação Getúlio Vargas (-0,1%), mas melhor do que a média das projeções, que estava em -0,5%. De todos os setores, apenas agricultura e as exportações tiveram um número positivo e, como o previsto, o PIB de serviços caiu muito. Isso preocupa pelo efeito sobre o mercado de trabalho.
O quadro mostrado pelo IBGE é de uma economia em recessão, ainda que, tecnicamente, recessão seja apenas quando há dois trimestres negativos seguidos. Um dado muito importante de ser observado é a tendência da taxa acumulada em quatro trimestres (vejam no gráfico). É a primeira vez desde 2011 que a taxa é negativa. Ou seja, quando se compara o período que vai do segundo trimestre de 2014 ao primeiro trimestre de 2015, a economia brasileira ficou 0,9% menor, em relação ao mesmo período do ano anterior.
O PIB terminou o ano passado no chão, com alta de 0,1%, e nesse primeiro trimestre aprofundou a queda para -0,9%. Quando se compara apenas o primeiro trimestre deste ano com o primeiro trimestre de 2014, a economia estava 1,6% menor. Resumindo: o PIB caiu sob vários tipos de comparação, seja sob o quatro trimestre de 2014; sobre o primeiro trimestre de 2014; ou acumulado em quatro trimestres.
O mais preocupante é a queda dos investimentos, porque tem sido permanente. Vem caindo há vários trimestres consecutivos e isso mostra que a economia não terá forças para retomar o crescimento a curto prazo.
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