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Com informações Estadão Conteúdo
Montante será liberado até o fim do ano a 26 empresas. Na terça-feira, Caixa Econômica anunciou que oferecerá até R$ 5 bilhões ao segmento
(Germano Luders/VEJA)
Governo recorre aos bancos públicos para impulsionar o setor automotivo
O Banco do Brasil antecipará a fornecedores da cadeia automotiva 3,1 bilhões de reais até o final deste ano no âmbito do protocolo firmado com o segmento e que contempla 26 empresas. Nesta quarta-feira, a instituição também anunciou que, a partir da ampliação de acordos como esse, pretende alcançar 500 empresas com desembolso de aproximadamente 9 bilhões de reais de diversos setores produtivos como cooperativas, incorporadoras e grandes empresas exportadoras.
No setor automotivo, o protocolo conta com o empenho da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) e do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) na intermediação de acordos de cooperação financeira e comercial entre o BB e associadas.
O objetivo do pacote é dar "apoio financeiro e comercial às cadeias produtivas do setor automotivo, além de reduzir em 60% o prazo para liberação dos financiamentos. Em contrapartida, as companhias devem se comprometer a manter empregos para que tenham acesso às "condições especiais" oferecidas pelos bancos públicos.
O BB anunciou ainda que vai lançar um modelo de relacionamento com revendas de máquinas, equipamentos agrícolas e caminhões. Com apoio da Anfavea e da Fenabrave, a meta do BB é cadastrar até o final deste ano mais de mil revendas. No piloto, o prazo de liberação de financiamentos cai de 67 para 14 dias.
No anúncio do pacote, o presidente da Anfavea, Luiz Moan, afirmou que o acordo celebrado com BB "demonstra o grau de importância da cadeia automotiva para a retomada da economia brasileira". "A cadeia corresponde a 12% de toda a arrecadação de impostos do país, além de gerar 5 milhões de empregos diretos", pontuou. Alarico Assumpção, da Fenabrave, afirmou não haver nenhuma "ajuda ou favorecimento" por parte do BB às instituições do setor. "Neste programa, estamos trabalhando com condições de prática do mercado", ressaltou.
Alexandre Abreu, presidente do BB, afirmou, que as soluções anunciadas hoje de estímulo ao setor automotivo não vão resolver (o problema), mas são uma boa ajuda ao segmento que enfrenta queda de vendas de veículos e maior restrição de crédito. "O momento é bastante desafiador, com queda na atividade econômica. Normalmente, a concessão de crédito (em um cenário como o atual) fica mais complexa em meio a empresas com situação mais difícil", avaliou.
Caixa -
Na terça-feira, a Caixa Econômica Federal também firmou convênio com a Anfavea, o Sindipeças e a Fenabrave para apoiar o setor automotivo. A expectativa do banco é liberar aproximadamente 5 bilhões de reais até o fim de 2015 em linhas de capital de giro e de investimento com juros mais baixos e prazos maiores às empresas do segmento.
Novamente, o governo recorre aos bancos públicos para impulsionar a economia. Desta vez, porém, a oferta está centrada nos fabricantes, ou seja, na cadeia produtiva, e não nos consumidores. Após o excesso de oferta em 2010, alguns bancos passaram a restringir a liberação de recursos para a compra de veículos em meio ao estrago que as linhas sem entrada e de noventa meses geraram nos calotes. As condições hoje são muito mais rigorosas, incluindo maior entrada e menor prazo.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
O ministro Levy, da Fazenda, afirmou que o pacote não afetará o ajuste fiscal. Na verdade, o mesmo ministro já havia declarado que este tipo de benefício era inconsequente.
Mas a questão deste pacote de ajuda não é se afeta ou não o ajuste fiscal. É incidir no mesmo erro cometido pelo ex-ministro Guido Mantega de se tratar as empresas do país de modo desigual. As dificuldades que atingem a economia brasileira afeta a todos indistintamente. Então, para uns se dá caviar e champanhe e para os demais apenas carne de pescoço?
Todas as empresas, independente de seu porte e de sua atividade, são geradoras de emprego e renda, e todas estão sendo castigadas por uma política econômica elitista adotada no primeiro mandato de Dilma. Impostos, encargos, juros e tarifas foram elevados em iguais índices para todos. Sendo assim, não se justifica que se volte a adotar as mesmas políticas elitistas que não deram certo em passado recente. Aliás, repetir os erros do passado significa dizer que, primeiro, não aprenderam a lição. E, segundo, que este não tem solução para enfrentar os problemas atuais e sequer se reelegeu sem ter um mísero projeto de país. É o poder pelo poder, apenas isso.
Portanto, o eleitor brasileiro está autorizado, toda vez que encontrar um petista metendo a ripa na tal da "zelite", a chama-lo de "vigarista". Perguntem a um banqueiro se ele gostaria de ver o PT fora do governo. Nunca ganharam tanto dinheiro na vida!!!
