João Pedro Caleiro,
EXAME.com
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São Paulo - O Brasil perdeu na noite de ontem o grau de investimento pela Standard & Poor's, justamente a primeira agência de rating a elevar o país a este status em 2008.
O Brasil ainda é grau de investimento pela Fitch e pela Moody's, mas não se sabe até quando - e recuperar nota pode ser mais difícil do que perder.
É o que mostra um estudo publicado em maio deste ano no portal de políticas públicas Vox por Carmen Broto e Luis Molina, economistas do Banco Central da Espanha.
Com foco justamente na S&P, eles olharam para o ciclo de altas e baixas da nota soberana de países do G-20 e mais afetados pela crise europeia.
O que eles encontraram foi uma forte assimetria entre os ciclos de alta e de baixa. A agência tende a reagir mais forte e rapidamente à piora das condições, mas custa a melhorar a nota de quem volta a ter performance positiva.
"Uma vez rebaixados pela agência, pouquíssimos países recuperam seu status prévio", dizem os autores. Em outras palavras: mesmo que o Brasil surpreenda economicamente, isso não significa que o grau de investimento voltaria facilmente.
Pouquíssimos países vivem o ciclo completo de alta, baixa e alta novamente: as notas tem bastante inércia e após o primeiro rebaixamento ou alta acontece, tendem a ser seguidos por mais rebaixamentos ou altas.
"Durante movimentos para baixo, as agências exibem uma sensibilidade excessiva em relação aos fundamentos econômicos, o que pode exacerbar o movimento no ciclo de negócios. Durante movimentos para cima, as autoridades tem pouca margem de manobra em acelerar as altas, na medida em que as notas das agências permanecem estáveis."
