Renata Mariz
O Globo
Investigação do MPF revela ainda benefício a doadores de campanhas eleitorais
Divulgação / 17-3-2015
Recadastramento de beneficiários do Bolsa Família
em São Gonçalo em março de 2015
BRASÍLIA — A investigação do Ministério Público Federal (MPF) que detectou indícios de irregularidades no pagamento de R$ 2,5 bilhões do Bolsa Família a cerca de 1,4 milhão de pessoas, entre 2013 e 2014, aponta que a maior parte dos beneficiários sob suspeita é de servidores públicos. Chama atenção o fato de serem pessoas com vínculo empregatício fixo e que, por lei, não podem receber menos que um salário mínimo.
— Para se enquadrar nas regras, eles teriam que ter pelo menos quatro pessoas na família sem qualquer outra renda. Não é que ser servidor público, simplesmente, caracteriza uma situação fraudulenta, mas é preciso verificar esses casos — disse ao GLOBO a procuradora da República Renata Baptista, coordenadora do grupo de trabalho do MPF que analisa o Bolsa Família.
Outro grupo que também despertou dúvidas dos procuradores é o de atendidos pelo Bolsa Família que doaram para campanhas eleitorais em 2012 e 2014. Há casos de candidatos que receberam doações de cerca de 20 beneficiários do programa de transferência de renda. A maior parte das doações, porém, foi feita para comitês eleitorais, sem especificação de um político específico.
Para Renata, a constatação é importante no momento em que o país se prepara para as primeiras eleições sem doação de empresas. Nesse cenário, aponta a procuradora, as doações por parte de pessoas físicas devem aumentar, assim como as fraudes envolvendo o financiamento das campanhas. As suspeitas recaem ainda sobre pagamentos a pessoas mortas e empresários, entre outros casos.
