Vanessa Barbosa
Exame.com
Cientistas encontraram microplásticos em 48% das amostras de animais invertebrados que vivem a mais de 20 mil metros de profundidade
(SAMS/Reprodução)
São Paulo – Tema de crescente preocupação, a poluição do meio ambiente
por detritos plásticos ganha a cada dia dimensões mais dramáticas.
Nesta semana, pesquisadores da Associação Escocesa de Ciências Marinhas (SAMS, na sigla em inglês) encontraram vestígios de microplásticos em 48% das amostras de animais invertebrados que vivem a mais de 2 mil metros de profundidade.
As análises foram realizadas numa região chamada Rockall Trough, no nordeste da Escócia, e revelaram a presença de resíduos plásticos em estrelas-marinhas e caracóis do mar.
Embora os cientistas já tenham encontrado vastas evidências de poluição por plásticos em várias áreas dos oceanos, a SAMS disse que sua pesquisa é a primeira a dimensionar a ingestão desses materiais por invertebrados de águas profundas. Os resultados foram publicados na revista Environmental Pollution.
O poliéster foi o plástico mais abundante identificado, principalmente sob a forma de fibras microscópicas, e, embora não seja possível conhecer definitivamente sua origem, esta substância é amplamente utilizada em roupas e pode chegar ao mar em águas residuais de máquinas de lavar. Dentro dos animais, também foram encontrados resíduos de polietileno, presente em sacolas de plástico, por exemplo.
(SAMS/Reprodução)
Um pequeno fiapo de plástico encontrado dentro dos invertebrados analisados.
“Os microplásticos se encontram generalizados no ambiente natural e apresentam inúmeras ameaças ecológicas, como a inibição da capacidade reprodutiva dos animais, o bloqueio dos tratos digestivos e a transferência de poluentes orgânicos para organismos que os comem”, disse em nota à imprensa Winnie Courtene-Jones, principal autora da pesquisa.
Segundo a cientista, há indícios de que mais de 660 espécies marinhas em todo o mundo são afetadas por plásticos. Os detritos plásticos maiores são um perigo para muitos animais, que podem ingeri-los ou se emaranhar neles. Tartarugas marinhas, caranguejos e aves costumam ser vítimas fáceis dessa poluição.
“Há muitas evidências de microplásticos nas águas costeiras, mas pouco se sabe sobre a extensão dessa poluição no oceano mais profundo. Estamos tentando estabelecer não só o quão generalizada ela é, mas também como e onde ela se acumula e o impacto que ela podem ter sobre a saúde dos animais e seres humanos”.

